Aos 12 anos, ator de This Is Us desabafa sobre racismo e o que o fez chorar nos sets

Loonie Chavis como Randall em This is Us
Loonie Chavis como Randall em This is Us (Maarten de Boer/NBC)

A morte de George Floyd nos Estados Unidos, acendeu uma grande chama de debate em torno do racismo estrutural, algo que existe de forma mais clara lá, do que aqui no Brasil, que costuma ser uma ameaça velada. E um texto feito por um ator mirim, mostrou que não existe idade para se sofrer com o preconceito. Lonnie Chavis, que vive a versão mais jovem de Randall em This Is Us, escreveu para a revista People publicada nesta quarta-feira, 17 de junho, sobre tudo o que já viveu em seus 12 anos de idade.

“A América mostra uma imagem muito clara de como eu deveria me enxergar”, começou ele. “Os Estados Unidos me mostram que minha negritude é uma ameaça e sou tratado como tal. Na verdade, eu não aprendi sobre ser negro e o que isso significava para mim até os 7 anos de idade”, explicou ele, detalhando que a partir daí seus pais começaram a educá-lo sobre essa questão.

Além de assistir a filmes como Malcolm X, e Amistad, os pais de Chavis tiveram longas conversas sobre coisas que poderiam acontecer e realmente aconteceram, quando ele foi diversas vezes barrado por seguranças em eventos em Hollywood. “Fui sempre tratado muito mal por seguranças como se não fosse para eu estar lá até ter alguém para me anunciar”, explicou o garoto que ainda se queixou por ser constantemente confundido com atores de outras séries como Stranger Things e Black-ish.

“Desde que você seja negro, as pessoas acham que você é igual a qualquer outro negro. Será que elas acham que dá para confundir só porque são negros e compartilham a mesma profissão?”, questionou Lonnie Chavis, que revelou que fez uma cena em This Is Us de racismo velado que realmente o fez chorar após filmá-la.

No enredo, Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia) levavam os três filhos pela primeira vez na casa da avó materna, e ela demonstrava gostar apenas dos netos brancos, gerados pela filha. “Eu comecei a chorar por mim [não pelo personagem]. E eu não conseguia explicar para todos numa sala cheia de brancos o motivo pelo qual eu estava chorando, enquanto experimentava a dor do racismo pela primeira vez”.

Segundo o ator, o fato de ser uma celebridade não torna sua vida e a de seus pais mais fácil, já que ele vivenciou situações desagradáveis, como a polícia parando sua mãe para perguntar de quem era o carro que ela dirigia, ou quando um policial torceu o braço de seu pai, em frente a toda a família. “Eu pensei que meus pais morreriam. Você consegue se imaginar tendo que segurar seus três irmãos pequenos enquanto pensa que todos vocês ficarão órfãos? Eu consigo”, finalizou.