Astros do cinema contam por que trocaram as telonas pelas séries de TV

Meryl Streep em cena de Big Little Lies (Imagem: Divulgação)

Antigamente chegar a fazer filmes de Hollywood era o sonho de qualquer ator, sobretudo aqueles que construíram suas carreiras nos Estados Unidos. O caminho migratório era simples, primeiro eles iam para a televisão, construíam lá uma carreira, por ser considerado um meio com qualidade de produção e narrativa mais baixa, e depois passavam a ganhar milhões nas produções de cinema. Porém, tudo mudou.

O cinema comercial deixou de ser atrativo para muitos atores. Histórias diferentes, e muitas vezes ousadas perderam força, deixaram de ter seus roteiros escolhidos pelos idealizadores que passaram a valorizar franquias, remakes, e reboots, que possuem uma certa garantia de lucro.

Com isso, vários atores conhecidos por atuarem nas telonas estão fazendo o papel inverso, e se voltando para a liberdade criativa da TV, é o caso de Reese Whiterspoon, Julia Roberts, até Meryl Streep, que esteve na segunda temporada de Big Little Lies. Nesta temporada, Russel Crowe voltou a um programa de TV (The Loudest Voice, do Showtime) depois de quase 30 anos sem aparecer regularmente em um, assim como Steve Carell, Jason Segel, e Forest Whitaker.

Este último explicou à revista Variety, o que o atraiu na TV, em comparação ao cinema: “Para ser sincero, quando eles me abordaram pela primeira vez, eu disse que só estava interessado em encontrar um lugar para contar a história sobre a criminalidade e o movimento dos direitos civis e Malcolm [X]”, falou Whitaker, que também é produtor executivo da série Godfather of Harlem, do canal Epix. “Foi uma coisa interessante poder explorar como as pessoas tentam alcançar esse american dream à sua maneira, por todos os meios necessários”.

Jason Segel
Jason Segel (Reprodução)

Jason Segel, não apenas protagoniza Dispatches From Elsewhere, da AMC, como também criou a série antológica. Ele disse que tentou escrever o projeto para ser um filme, mas acabou não sendo “participativo” o suficiente, e ele queria que as pessoas entrassem mais em contato com os personagens. No programa, estranhos se encontram após responderem a folheto misterioso, e o drama expõe a crise existencial de cada um deles.

Aldis Hodge
Aldis Hodge (Divulgação)

Para Aldis Hodge, estrela de City on a Hill, o que a atraiu a ir para a TV foi contar uma história que misturava política e racismo da década de 1990, coisa que ele não conseguiria fazer no cinema. “Muitas pessoas vivem em uma realidade coberta, onde pensam que o racismo não é tão proeminente quanto realmente é neste país, simplesmente porque não vivem sob as consequências dele. Eles não vivem com os efeitos dele. Mas eu, é claro, não posso escapar desses efeitos. Então, com este projeto, o personagem está sentado lá, tentando lutar contra policiais corruptos – ele representou muitas coisas nas quais eu acredito e estou lidando atualmente, e eu senti que seria uma boa representação para eu explicar, ou pelo menos comunicar, algumas das coisas que eu senti que precisam ser tratadas na vida real” disparou.