Atriz de Supergirl conta que já conseguiu derrubar lei americana

Dreamer (Nicole Maines) em Supergirl (Imagem: Reprodução / The CW)

Na serie Supergirl, Nicole Maines interpreta Nia Nal, também conhecida como Sonhadora, uma heroína que carrega consigo não apenas uma máscara mas o título de primeira super-heroína trans da televisão. Em entrevista via telefone com o site Collider, a atriz (que também é trans na vida real), contou que estar na série é um sonho realizado sobretudo tocando em um assunto tão importante.

“Foi incrível ver a resposta da comunidade LGBT e ver como as pessoas estão se sentindo validadas por verem a Sonhadora em suas TVs todo domingo. Isso tem sido gratificante para mim. Vou a convenções e conheço pessoas que saíram de suas conchas e receberam muita confiança por causa da personagem, elas se aproximam e dize: ‘Sonhadora me deu a confiança necessária para sair como trans’, é algo mais do que eu jamais poderia ter pedido”, disparou.

“Estou muito agradecida por essa personagem ter tido o impacto nas pessoas que ela teve, e não apenas nas pessoas trans. Ouvir a resposta das pessoas cisgênero dizendo que a Sonhadora é a personagem preferida delas no programa tem sido insano para mim”, continuou ela que relembrou sua primeira cena, quando Nia foi apresentada como uma estagiária na CatCo WorldWide Media, e como a personagem cresceu de lá para cá.

“Quando ela começou sua jornada lembrava muito a Kara na primeira temporada. Agora, duas temporadas depois, Nia e Sonhadora se tornaram suas próprias forças e seus próprios personagens”, disse ela que já conseguiu lutar contra a política americana, na tentativa de incluir pessoas trans.

Durante a entrevista ela explicou que existia uma lei no estado do Maine que dizia que todas as pessoas precisariam usar banheiros que correspondessem ao seu sexo biológico. Aos treze anos, e já como uma garota trans, Nicole sentiu medo de como isso poderia afetá-la, física e psicologicamente por precisar usar o banheiro masculino numa escola.

“Ninguém na minha escola sabia que eu era trans, e precisar me abrir para o mundo poderia me colocar em perigo por uma infinidade de razões, então fui com meu pai, a Liga das Mulheres do Maine, Instituto de Igualdade, até a Casa do Estado, e os convenci a me ouvirem por dois minutos e disse: “Olá, meu nome é Nicole. Estou na oitava série e sou transgênero, e é assim que essa lei vai me afetar’”, disse ela que conseguiu derrubar a lei, e usar pela primeira vez sua voz a favor de algo que acredita.