Autor de American Gods fura isolamento social, e é repreendido pela polícia

Pôster da segunda temporada de American Gods (Divulgação)

Pelo visto não é só no Brasil que as pessoas não estão respeitando corretamente as regras do isolamento social. O escritor e roteirista britânico Neil Gaiman pediu desculpas depois de ter sido repreendido pela polícia escocesa por viajar da Nova Zelândia para a ilha escocesa de Skye – uma jornada que abalou os moradores da comunidade de 10 mil pessoas que tentavam se isolar.

O autor da série American Gods, havia sido abordado por policiais locais no último domingo, 17 de maio, depois que ele detalhou sua viagem de Auckland até a ilha de Skye em uma postagem na internet feita no dia 14 de maio. Gaiman escreveu sobre voar “mascarado e enluvado” no meio do mundo.

“Os dois vôos foram surreais, principalmente o vôo para Londres. Aeroportos vazios, principalmente aviões vazios. Isso me lembrou de voar uma semana depois do 11 de setembro: tudo mudou”, escreveu ele.

A inspetora Linda Allan comentou com a revista Variery sobre a visita da polícia da Escócia à residência de Gaiman em Skye: “Os policiais visitaram Neil Gaiman e conversaram com ele sobre suas ações. Ele recebeu conselhos adequados sobre viagens essenciais e lembrou as diretrizes atuais na Escócia”.

No início da terça-feira, 19 de maio, Gaiman publicou um post pedindo desculpas por desafiar a quarentena ao fazer uma viagem longa. “Olha, Eu fiz algo estúpido. Eu realmente sinto muito. A última postagem que escrevi, sobre como eu estava aqui por quase três semanas, se transformou em notícia – e não algo bom. O tipo ‘fulano voa 12.000 milhas para desafiar o bloqueio’. E eu consegui bagunçar as coisas em Skye, que é o lugar que eu mais amo no mundo”, começou.

“Quero me desculpar com todos na ilha por criar tanta confusão. Também quero agradecer e pedir desculpas à polícia local, que tinha coisas melhores para fazer do que vir me checar. Tenho certeza de que fiz coisas mais bobas na minha vida, mas essa é a coisa mais tola que já fiz em um bom tempo”, continuou.

Gaiman explicou que sua vida doméstica e profissional tinha sido ‘virada de cabeça para baixo’ pelos bloqueios por conta coronavírus. O escritor estava na Nova Zelândia com a esposa, cantora Amanda Palmer, e seu filho Ash, depois de viajar para a Austrália em março, onde Palmer estava em turnê. Gaiman disse que viveu um período turbulento com a parceira desde então, motivo pelo qual precisava de um espaço, e resolver ir para o país enquanto a esposa retornava para a casa no Reino Unido.

“Fiquei em pânico, mais do que um pouco sobrecarregado e preso na Nova Zelândia”, escreveu Gaiman, que explicou que buscou conselhos do governo local para tentar sair de lá. “Eu moro no Reino Unido desde 2017 e todo o meu trabalho está aqui – então ‘é altamente recomendável que você retorne agora’ parecia a (a) mensagem mais importante. Eu esperei até a Nova Zelândia terminar com seu estrito bloqueio e peguei o primeiro vôo”, relatou.

O escritor também se sentiu culpado e explicou que a ilha de Skye teve um surto de COVID-19 em uma clínica local enquanto ele esteve por lá. “Não está configurado para lidar com coisas assim, e todos os recursos locais são necessários para cuidar apenas da comunidade local”, disse ele. “Então sim. Eu cometi um erro. Não faça o que eu fiz. Não venha para as Terras Altas e Ilhas a menos que precise”, finalizou.

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