Autora de As Patricinhas de Beverly-Hills comemora 25 anos do filme e faz revelação

Dione (Stacey Dash) e Cher (Alicia Siverstone) em As Patricinhas de Beverly-Hills
Dione (Stacey Dash) e Cher (Alicia Siverstone) em As Patricinhas de Beverly-Hills (Reprodução)

Lançado há 25 anos, o filme As Patricinhas de Beverly-Hills (Clueless) se transformou em um clássico adolescente para ninguém botar defeito. Mas nem sempre a comédia sobre a garota riquinha que tentava ajudar as pessoas à sua volta ao mesmo tempo que armava para melhorar suas notas na escola e lidava com romances, e tentativas de se tonar uma motorista de Los Angeles, era cultuado em Hollywood. Em entrevista para a revista Variety, Amy Heckerling, autora do longa contou que o roteiro passou pela mão de diversos estúdios sendo rejeitado por todos eles. “Todo mundo em Hollywood passou o roteiro adiante, e meu agente Ken Stovitz estava ficando louco tentando pensar em lugares, coisas e pessoas que conseguiriam ler e entender. E era basicamente ‘Não, não, não’. Eu acho que essas pessoas liam e não entendiam o humor ali”, disse ela.

Ken Stovitz disse que lutou muito para encontrar alguém que topasse fazer o filme, que originalmente era escrito como uma série de TV.”Uma das coisas mais difíceis é a verdade pelo qual alguém te rejeita, e fomos rejeitados em todos os lugares por duas vezes. Eu continuava dizendo para Amy ‘vamos fazer isso'”, disse ele que a persistência fez com que o filme fosse escolhido pela Paramount, que escalou Scott Rudin como produtor. Bombado naquele momento, ele tinha feito A Família Addams anos antes, e fez com quem todos os outros estúdios que haviam rejeitado o longa, começassem uma guerra para produzi-lo.

As Patricinhas de Beverly-Hills é uma adaptação de do romance Emma, de Jane Austen, publicado em 1815, mas também é uma colcha de retalhos das próprias experiências de Heckerling escrevendo e dirigindo filmes, bem como o choque cultural de vir a Los Angeles como nova-iorquina nativa. Em uma cena inicial, Cher (Alicia Silverstone) e Dionne (Stacey Dash) conversam entre si em suas salas de aula, continuando a conversa por telefone até que andem lado a lado. A troca foi inspirada por uma observação que Heckerling fez sobre dois produtores conversando enquanto ela trabalhava em Olha Quem Está Falando (1989).

Dione (Stacey Dash) e Cher (Alicia Siverstone) em As Patricinhas de Beverly-Hills
Dione (Stacey Dash) e Cher (Alicia Siverstone) em As Patricinhas de Beverly-Hills (Reprodução)

“Claro, eles tinham esses celulares grandes, certo? Mas ninguém mais andava por aí com telefones celulares. Eu acho que na Europa, talvez as pessoas as usassem mais do que nos Estados Unidos, traficantes de drogas e essas merdas. O produtor andava de um lado para o outro do campo de onde eu estava filmando bebês, e ele estava falando no telefone. E o outro produtor estava a meio campo de distância dele andando de um lado para o outro no celular. Eu e o [diretor de fotografia] conversamos e ele disse: ‘Com quem você acha que eles estão conversando?’ Nós dissemos ‘um com o outro’. Quero dizer, teoricamente, se fosse verdade eles poderiam ter caminhado alguns metros e terem conversado pessoalmente. Mas me incomodava pensar: ‘OK, então agora é assim que todos nós conversaremos’”, disse ela.

Murray (Donald Faison), Cher (Alicia Silverstone) e Dione (Stacey Dash) em As Patricinhas de Beverly-Hills
Murray (Donald Faison), Cher (Alicia Silverstone) e Dione (Stacey Dash) em As Patricinhas de Beverly-Hills (Reprodução)

A aversão da autora a dirigir automóveis criou outra cena hilária, a que Murray (Donald Faison) ensina Dionne (Stacey Dash) a dirigir enquanto Cher (Alicia Silverstone) conversa com ela sobre sua tentativa de primeira vez que deu errado, enquanto ambos acabam entrando numa rodovia. Heckerling contou que foi reprovada cinco vezes para tirar carteira de motorista e entrou em pânico ao ser quase atropelada por um motorista bêbado em seus tempos de faculdade. “Então, de vez em quando você está tentando encontrar um endereço para descobrir como chegar a algum lugar e, de repente, você se encontra na rodovia da qual não consegue sair. E quando isso acontece, eu apenas grito até sair disso.”

Até o guarda-roupa do elenco ecoa as raízes da costa leste de Heckerling, especificamente o conjunto xadrez amarelo de Cher, inspirado nas folhas que mudam de cor no outono. “A escola começava e quando o outono começa é quando as pessoas saem para viajar para ver as folhas caírem. Nós os chamamos de viagens de folhagem na costa leste, porque havia certas estradas e coisas que você poderia pegar, e você veria árvores amarelas brilhantes, laranjas e vermelhas. Então, eu queria aquele tipo de volta às aulas, ‘as folhas estão pegando fogo’, um visual bonito para o outono.”

Quando As Patricinhas de Beverly-Hills estreou em 1995, tornou-se um sucesso imediato, ganhando 56,6 milhões de dólares com orçamento insignificante de 12 milhões de dólares. Todos os estúdios que transmitiram o filme devem ter se engasgado com essa receita. No entanto, mesmo Heckerling cometeu alguns erros, como não acreditar que a escolha da figurinista Mona May, em escolher o icônico terno Dolce & Gababana de Cher era correta. “Um terno amarelo? Sério? Eu ficava tipo ‘Ok, vou confiar em você, porque isso vai aparecer'”. O filme fez tanto barulho que gerou uma série de mesmo nome (e com quase todos os atores do longa, exceto Alicia Silverstone) que durou três temporadas, e foi exibida no Brasil pela Nickelodeon até 2002. Até mesmo Brittany Murphy e Paul Rudd que não eram do elenco regular, chegaram a fazer participações na atração.

Séries As Patricinhas de Beverly-Hills, estrelada por quase todos os atores do filme
Séries As Patricinhas de Beverly-Hills, estrelada por quase todos os atores do filme (Divulgação/ Paramount)