Autora do livro Little Fires Everywhere ficou emocionada com mudança importante na história

Little Fires Everywhere (Divulgação)

A série Little Fires Everywhere, que estrou em março deste ano no Hulu, não poderia ter vindo num momento mais oportuno. O programa recebeu 5 indicações ao Emmy, incluindo a de melhor atriz para Kerry Washington uma das protagonistas. A história debate a luta de classe ao mesmo tempo que discute como as baixas oportunidades estão intimamente ligadas às questões étnicas e raciais, sob a ótica de duas mulheres diferentes, Elena Richardson, uma mulher branca, que quer manter a aparência de uma família perfeita, e Mia, uma artista negra, que viaja junto com sua filha.

Celeste Ng, autora do romance que baseou a série, em uma entrevista ao site The Hollywood Reporter, explicou que ver sua história na tela foi uma grata surpresa, e que a maior modificação que aconteceu, casou exatamente com que ela imaginava no livro e não foi capaz de contar. Nas páginas do livro, elogiado pelo New York Times em 2017, Mia não é descrita como uma mulher negra, algo que a autora fez propositalmente pois não saberia transpor para o papel tudo o que alguém desta etnia sente.

“Adorei isso porque, para mim, dizia que [a produtora e estrela Reese Witherspoon e Lauren Neustadter da Hello Sunshine] estavam olhando o livro da maneira que eu queria que fosse: elas estavam pensando em como raça e classe se conectam, elas estavam inclinadas a ter essas discussões. Eu sabia que Kerry e os muitos escritores negros na sala dos escritores seriam capazes de retratar a experiência de uma mulher negra de uma maneira que eu não era capaz no livro”, disse ela afirmando que foi às lágrimas ao ter a notícia que no programa Mia e Pearl seriam negras.

Por outro lado, ela criou o embate principal da história com base em suas vivências, Mia e Elena lutam cada uma de um lado devido a adoção de uma criança chinesa por um casal branco. Celeste que é chinesa, diz que usou toda sua bagagem pessoal para compor isso.

“Espero que esse programa ajude a continuar as conversas. Estamos em um ponto em que estamos percebendo o quanto precisamos ter essas conversas sobre raça, classe e desigualdades de todos os tipos. Eu me sentia uma estranho durante a maior parte da minha vida, então eu penso muito sobre esse desequilíbrio de poder, o que significa sentir que você não está sendo vista ou ouvida ou que as pessoas a veem de maneira diferente do que você imagina você mesmo”, disparou.