John Galliano, de 65 anos, decidiu não seguir adiante, neste momento, com a retrospectiva dedicada à sua carreira no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. O estilista comunicou a decisão nesta segunda-feira (31/08), cerca de 1 mês após a homenagem ser anunciada.
📲 Confira o comunicado publicado por John Galliano:
A decisão ocorre após o anúncio da retrospectiva provocar críticas relacionadas a episódios do passado do designer. No comunicado, Galliano reconheceu novamente a responsabilidade pelas declarações que fez anos atrás e disse compreender que uma homenagem ao seu trabalho poderia ser dolorosa para algumas pessoas.
“Decidi, com grande tristeza, que o melhor é que a exposição não aconteça neste momento.”
John Galliano explica decisão
Ao abordar o motivo da recusa, Galliano mencionou diretamente as comunidades atingidas por suas declarações anteriores. O estilista afirmou continuar arrependido e ponderou que reconhecimento institucional não representa, por si só, uma forma de reparação.
“Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, particularmente pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido.”
Galliano acrescentou que entende a reparação como um processo contínuo, ligado à escuta, ao aprendizado e à própria conduta ao longo do tempo. Segundo ele, o debate envolvendo seu nome também não deveria colocar o museu em uma posição delicada ou tirar o foco do trabalho desenvolvido pelo Costume Institute.
O episódio ao qual o estilista se refere ganhou repercussão em 2011, quando veio a público um vídeo, gravado em dezembro de 2010, no qual ele fazia declarações antissemitas e elogiava Adolf Hitler. Na época, a Dior, onde Galliano atuava desde 1996, rompeu o vínculo com o designer.
Ainda em 2011, ele foi julgado na França pelo caso. Durante o processo, alegou enfrentar dependência de álcool e medicamentos e recebeu uma multa de 6 mil euros.
MET e Anna Wintour apoiam decisão
Max Hollein, diretor e CEO do Metropolitan Museum of Art, informou que respeita a escolha após conversas com Galliano e outras partes envolvidas. Ele concordou que este não seria o momento adequado para realizar a retrospectiva.
Anna Wintour também manifestou apoio. Em comunicado, a executiva classificou a atitude de Galliano como corajosa e defendeu a relevância do estilista para a história recente da moda, destacando sua técnica e influência sobre diferentes gerações de designers.
Galliano, por sua vez, agradeceu ao museu, a Hollein, ao curador Andrew Bolton e a Wintour pela proposta. Também mencionou os 15 anos de sobriedade e recuperação da dependência, agradecendo às pessoas que o acompanharam durante esse período.
O que a mostra reuniria?
A exposição dedicada a John Galliano reuniria peças de diferentes momentos de sua trajetória, além de acessórios, esboços, protótipos, livros de pesquisa e materiais de arquivo. O projeto percorreria cerca de 4 décadas de trabalho do estilista.
O ponto de partida seria Les Incroyables, coleção apresentada por Galliano na Central Saint Martins, em 1984. A seleção também contemplaria suas passagens pela Givenchy e pela Dior, além da fase mais recente à frente da Maison Margiela.
Confira trabalhos de John Galliano em diferentes fases da carreira:
A retrospectiva chegaria até suas últimas criações para a Maison Margiela, incluindo o período que culminou no desfile Artisanal apresentado em 2024. A proposta era mostrar como a linguagem criativa do estilista se transformou ao longo dos anos e atravessou diferentes casas de moda.
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