Billy Eichner fala sobre cinebiografia de astro gay, e critica postura preconceituosa de Hollywood

Billy Eichner/Reprodução

Paul Lynde, o excêntrico ator amado pelo público por suas participações em A Feiticeira e no programa Hollywood Squares ganhará uma cinebiografia, que será protagonizada por ninguém menos que Billy Eichner, considerado um dos comediantes gays mais proeminentes da atualidade, e que segundo especialistas estaria apto para viver o astro da TV dos anos 60. Mesmo Lynde nunca tendo saído do armário, sua sexualidade era conhecida nos bastidores dos programas em que trabalhou. O projeto veio à tona através de uma matéria feita pelo site Deadline, em que Eichner relatou a importância da luta de atores gays no cinema, e como ele pretende quebrar esse estigma.

“Há alguma sobreposição entre Paul e eu, porque nós dois tivemos nosso avanço na indústria, como artistas, apresentando uma personalidade gay mais extravagante do que a vida extravagante na tela”, disse Eichner. “Mesmo estando sempre muito fora [do armário], Paul nunca esteve fora oficialmente, mas estava o mais fora possível, naquele momento, na medida em que claramente se inclinava para uma personalidade extravagante. Ao contrário de Rock Hudson, Tab Hunter, Cary Grant e todos esses outros atores, ele não estava fingindo ser hétero.”

Eichner também questionou o motivo de Hollywood dar prêmios a atores heterossexuais que interpretam gays. “Uma das principais razões pelas quais eu quero fazer isso é porque os atores gays nunca, devo dizer, têm permissão para interpretar ícones gays. Harvey Milk, Freddie Mercury, Elton John. Onde estão os atores gays?” ele perguntou. “Quando realmente se trata de um grande projeto sobre um ícone gay, aquele em que todos estão entregando prêmios… adoramos o espetáculo de recompensar um ator hétero, por aspas, se ‘transformar em um gay’.”

Eichner acrescentou que a consequência para os atores que se assumem geralmente é o fim da carreira. “Quando alguém sai do armário, nós comemoramos. Nós os aplaudimos. Colocamos na capa de revistas. Nós dizemos ‘obrigado por viver sua verdade, e obrigado por ser corajoso, e você é um modelo para os nossos filhos gays’. E então instantaneamente, esse ator é retirado de tantas listas de elenco no negócio. Foi exatamente o que aconteceu com Paul, e ainda está acontecendo hoje, o que posso dizer da minha própria carreira, tendo vivido isso no dia a dia, há quase 20 anos. Depois de cem anos fazendo filmes, não é uma coincidência”, acrescentando “Não há Tom Hanks gay neste país. Não há Will Ferrell gay. Não há Steve Carell gay. Não há Paul Rudd gay. Não há Kevin Hart gay. Não há Will Smith gay. A lista continua”. Intitulado Man in the Box, o filme seráproduzido por Tom McNulty, com roteiro de Edwin Cannistraci.