Chefão da Netflix protesta sobre pedido de censura a polêmico filme Cuties

Cuties (Imagem: Divulgação / Netflix)

Ted Sarandos, CEO da Netflix, colocou a boca no trombone e revelou seu descontentamento em saber sobre uma possível censura em torno do filme Cuties, drama francês que a plataforma adquiriu com exclusividade, e que tanto em seu país de origem como no Brasil ganhou nome de Mignonnes. Em comentários no na feira virtual de cinema e televisão Mipcom na última segunda-feira, Sarandos disse que Cuties foi mal interpretado nos Estados Unidos depois que a acusação de júri no Texas alegou que “apela ao interesse lascivo por sexo e não tem valor sério, literário, artístico, político ou científico”.

Defendendo o longa-metragem dirigido por Maïmouna Doucouré, que se concentra em uma garota senegalesa-francesa de 11 anos, que está dividida entre sua tradicional família muçulmana e seus amigos do grupo de dança, Sarandos disse: “É um pouco surpreendente na América de 2020 que nós estamos discutindo sobre a censura de contar histórias.”

Ele acrescentou: “É um filme muito incompreendido por alguns públicos, exclusivamente nos Estados Unidos. O filme fala por si. É um filme de amadurecimento muito pessoal, é a história da diretora e o filme obviamente foi muito bem em no Festival Sundance, sem nenhuma polêmica, e foi exibido nos cinemas por toda a Europa sem nenhuma dessas polêmicas.”

Ele também deixou claro que a Netflix não tentou fazer nenhuma alteração no conteúdo do Cuties antes de sua estreia em setembro. Sarandos não foi pressionado, a não ser sobre uma alteração no material promocional do filme que sua equipe retirou das redes sociais e pediu desculpas depois que os críticos afirmaram que a arte da trupe de dança sexualizava crianças. O filme tem sido alvo de constantes debates justamente devido a este primeiro material promocional que mostrava as quatro personagens centrais do longa, que na história têm 11 anos, em roupas provocantes, as mesmas que elas se apresentam em determinada cena.

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