Cineasta que queria adaptar Duna analisa trailer de nova versão

Alejandro Jodorowsky (Divulgação)
Alejandro Jodorowsky (Divulgação)

Na década de 1970, Alejandro Jodorowsky queria adaptar o livro Duna de Frank Herbert para o cinema. Contudo, a proposta estava muito além do que Hollywood poderia oferecer na época. O projeto sofreu modificações e se transformou em um documentário chamado Jodorowsky’s Dune, que foi lançado em 2013. Duna ganhou uma adaptação em filme em 1984 sob a direção de David Lynch, mas o longa metragem não caiu nas graças da crítica e do público.

Agora, em 2020, Duna ganhará uma nova adaptação, dirigida por Denis Villeneuve. O primeiro trailer da nova versão  foi divulgado na última semana e deixou os espectadores ansiosos. Uma matéria do site francês Premiere revelou como o cineasta Alejandro Jodorowsky, de 91 anos, reagiu às primeiras imagens.

A opinião de Jodorowsky

“Eu desejo que Duna tenha um grande sucesso, porque Denis Villeneuve é um bom diretor, de quem me contaram muitas coisas boas. Vi o trailer. Está muito bem feito. Podemos ver que é cinema industrial, que há muito dinheiro e era muito caro. Mas se fosse muito caro, deveria pagar na proporção. E esse é o problema: não há surpresa. A forma é idêntica ao que se faz em toda parte, a iluminação, a atuação, tudo é previsível. O cinema industrial é incompatível com o cinema de autor. Para o primeiro, o dinheiro vem antes da obra. Para o segundo, é o contrário, seja qual for a qualidade de um diretor, seja meu amigo Nicolas Winding Refn ou Denis Villeneuve. Entretenimento é um show que não pretende mudar a humanidade ou a sociedade”, disse o cineasta.

Jodorowsky também relembrou aspectos da obra literária de Herbert, que lhe pareciam em essência difíceis de transpor para o cinema: “Para mim, um filme deve se abrir para outro mundo. Meu Duna, eu vi um pouco como Nadja de André Breton. Não é uma obra, mas um manifesto para penetrar na mente das pessoas e provocar uma pandemia, mas que se centra na vida e não na morte como a que conhecemos hoje. Esperar algo profundo, complexo, literário, que é perfeitamente impossível de transcrever na duração clássica de um filme. Meu Duna deveria durar 14 horas! Digo a mim mesmo que seu formato poderia ter finalmente correspondido ao de uma série contemporânea. Fazer de Duna um filme tradicional é condenar-se a oferecer um fragmento dele”.

Formado em administração e psicologia. Adora cartoons, animes e series animadas. Atualmente faz curso de desenho com especialização em cartoons.