Criadora de Power faz desabafo e critica showrunners por ESTE motivo

50 Cent em cena da série Power, da Starz (Imagem: Divulgação)

A criadora da série Power, Courtney Kemp refletiu sobre os últimos acontecimentos nos Estados Unidos, que impactaram diretamente os programas de TV por lá, incluindo o cancelamento de dois dos mais populares que continham operações policiais. Segundo a autora, a quantidade de séries focadas em protagonistas policiais acontece porque o americano médio, enxerga o policial como um herói, ou semideus onipotente incapaz de cometer erros.

Este, conforme suas falas é o motivo do choque da população diante do vídeo da morte de George Floyd por um policial. “Na TV, ao contrário da realidade ninguém é preso por causa de sua etnia, e sim porque são culpados. Um bom trabalho policial é nosso fetiche nacional, e se nossos personagens policiais fazem algo errado, eles se culpam e tentam achar o verdadeiro bandido, e no final disso descansamos pois tudo está bem, e o policial corrigiu seu erro”.

Kemp acredita que o cancelamento de séries policiais ofusca a questão real. “Por que a aplicação da lei real, que como mulher negra conheço tão bem, desaparece das séries dramáticas? O problema não é a existência dos shows, e sim aqueles que os escrevem. 60% dos programas de TV nos Estados Unidos retratam a polícia, mas apenas 4,8% dos escritores da TV são negros. As porcentagens de latinos e asiáticos são ainda mais baixas”, disse ela numa coluna no site The Hollywood Reporter.

A escritora diz que antes de se tornar uma showrunner, passou por muitos programas, sempre sendo a única negra a ocupar a sala dos roteiristas: “Eu era uma dupla, tanto única negra, quanto única mulher, e frequentemente escritores de nível [intelectual] mais baixo, mas na mesma posição [hierárquica] que eu estava, pediam para que eu explicasse meu ponto de vista negro, sempre que argumentava contra uma trama racista. Tenho que dizer que equipes lideradas por Greg Berlanti, Robert e Michelle King sempre integraram bem as mulheres, e eu não estava sozinha nem em gênero nem em raça”.

Segundo ela, quis criar em Power uma mistura de bons e maus personagens, independente de sua cor de pele, e relata que quando se exclui alguém negro da equipe de roteiristas, está se excluindo uma perspectiva, e que isso é feito de forma sistêmica e propositada. “Showrunners sempre dizem que vão contratar, mas depois começam com ‘eu tentei’, ‘não consegui encontrar ninguém bom’, ‘não sei como encontrar escritores negros sem assessores’, ‘contratei alguns no início da temporada mas não deram certo’”, revelou ela que abriga na sala de escritores comandada por ela homens, mulheres, LGBTQ, héteros, jovens, e mais experientes, e todos eles mais diversos etnicamente possível.