A Grande Mentira (Divulgação)

Realmente não há como ter Ian McKellen e Helen Mirren, dois dos melhores artistas vivos, serem nada menos do que estupendos em qualquer filme. A escolha da dupla é sem dúvida nenhuma o ponto mais alto de A Grande Mentira, novo longa de Bill Condon, um suspense mediano que infelizmente não está à altura dos seus protagonistas.

O roteiro de Jeffrey Hatcher, baseado no livro homônimo de Nicholas Searle lançado em 2015, não é completamente sem mérito, porém as grandes revelações do enredo são guardadas tanto a sete chaves que é impossível para o espectador chegar à uma conclusão por seus próprios meios. A direção de Condon (Amanhecer Partes 1 e 2, A Bela e a Fera) é correta e segura, mas em nenhum momento chegar a ser empolgante.

Todo o brilho, como já mencionado, fica por conta de McKellen como o vigarista Roy Courtnay, que conhece a elegante Betty McLeish (Mirren) em um site de relacionamentos para pessoas da terceira idade. Rapidamente fica claro que Roy vive de golpe em golpe, e certas sequências do filme demonstram que ele é bem mais perigoso do que aparenta ser. Diante da pequena fortuna em nome de Betty, seu plano passa a ser o de enganar e roubar a viúva juntamente com seu comparsa Vincent, vivido por Jim Carter (Downton Abbey).

A tarefa se torna um pouco mais complicada pela presença do neto Steven, interpretado por Russell Tovey, que parece desde o princípio desconfiar das intenções de Roy. Também fica óbvio que McLeish esconde seus próprios segredos, porém graças ao incrível talento de Mirren não é possível detectar exatamente o que a personagem esconde por trás dos belos olhos e do enigmático sorriso.

Impasse

Um dos principais problemas do longa começam a aparecer já no segundo ato, quando o ritmo fica estagnado – em especial durante longos flashbacks – e é preciso aplicar o benefício da dúvida para comprar algumas das ações de Roy, cujos fantasmas do passado – em especial ligados à sua juventude na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial – começam a ser desenterrados.

O final é até certo ponto surpreendente, mas trata-se do tipo de conclusão impossível de prever quando não se tem nenhuma pista concreta, ficando a cargo de Condon nos levar pela mão enquanto oferece explicações de forma didática. A Grande Mentira é no geral um suspense morno, elevado por magníficas atuações e que usa como grande trunfo a procura por justiça. 

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