Adoráveis Mulheres (Divulgação)
ANÚNCIO

Quando Greta Gerwig anunciou que seu próximo projeto após o sucesso Lady Bird seria um remake de Adoráveis Mulheres, muitos estranharam. Porque retomar uma história lançada há mais de 150 anos e que já passou por diversas versões para o cinema e para a tv? Por que não produzir algo novo?

Acontece que Gerwig sabia exatamente o que estava fazendo quando decidiu reintroduzir ao mundo o conto das irmãs March, escrito pela autora Louisa May Alcott e inspirado na sua própria realidade. Vivendo na cidade de Concord, Massachusetts, logo após a Guerra Civil americana, a família de classe média baixa enfrenta problemas para levar a vida, mas o amor que cultiva se mostra maior do que qualquer dificuldade.

A diretora conseguiu um feito admirável: prestar homenagem ao texto original e ao mesmo tempo infusionar suas personagens com um ar extremamente contemporâneo. O resultado é um filme delicado, engraçado, político, que dá voz às mulheres e explora seu mundo particular ao mesmo tempo que faz questão de deixar claro que elas são seres universais, com desejos e necessidades que vão muito, muito além daquilo que as era atribuído na época – preconceitos que permanecem até hoje.

Adoráveis Mulheres reúne um elenco simplesmente impecável formado por nomes como Saoirse Ronan, Timothée Chalamet, Florence Pugh, Emma Watson, Eliza Scanlen, Laura Dern e Meryl Streep; todos emprestando seus respectivos talentos a um material clássico que ganha vida nova no roteiro também adaptado por Greta.

A Jo de Ronan parece realmente ter sido construída especialmente para ela: a atriz equilibra com perfeição a paixão, a ambição, e as frustrações da personagem que deseja mais do que tudo se tornar uma escritora profissional, mas que precisa navegar as barreiras impostas ao seu gênero.

Espelho da realidade

Pugh também dá vida nova à Amy, a irmã que sempre foi vista como uma espécie de vilã pelos fãs. É dela um dos monólogos mais pungentes do longa, sobre a realidade nua e crua do casamento como uma “proposta financeira” que precisa ser friamente analisada. O maior exemplo desse discurso acaba justamente vindo da irmã mais velha Meg, vivida por Watson na melhor atuação da sua carreira, que casa por amor e sofre com a falta de dinheiro.

Chalamet continua mostrando porque é considerado uma das maiores revelações dessa geração: as fãs de Christian Bale se verão obrigadas a abrir espaço para sua versão do jovem herdeiro Laurie, que conquista corações por onde passa e acaba completamente enfeitiçado não só por Jo, mas por toda a calorosa família.

Como se o conteúdo não fosse suficiente, a fotografia de Yorick Le Saux transforma cada frame em uma obra de arte, enquanto a trilha do gênio Alexandre Desplat eleva tanto os momentos alegres quanto os dramáticos. Em resumo, Adoráveis Mulheres é a melhor maneira de começar 2020.

Comentários

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui