Kristen Stewart em cena de Ameaça Profunda (Foto: Divulgação/Fox Film)
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Uma nova safra de filmes de ficção científica está aberta com a chegada de 2020 e a Fox é a responsável por abrir a temporada com Ameaça Profunda (“Underwater”), novo longa estrelado por Kristen Stewart (do novo “As Panteras”). Quando se trata de produções desse gênero, Hollywood já produziu diversos filmes que oferecem mais do mesmo, com uma fórmula pré-determinada que vem se repetindo ao longo dos tempos. Aqui, fica sob a responsabilidade do cineasta William Eubank de fazer algo diferente, que eleve o sci-fi a outro nível. Seria isso possível ou um objetivo distante de ser alcançado?

Em Ameaça Profunda nos deparamos com uma plataforma subaquática que fica a onze mil metros de profundidade. Lá trabalham centenas de pesquisadores que acabam sendo afetados por um terremoto que destrói o laboratório e acaba obrigando um grupo de sobrevivente a caminhar em terra, pelas profundezas do oceano. Com a disponibilidade de oxigênio chegando ao fim, esse é o menor dos problemas a ser enfrentado pelo grupo quando eles se deparam com uma criatura estranha que habita o fundo do mar.

O início bastante didático do longa, trazendo textos, mapas e imagens na tela, já revela uma das deficiências de Ameaça Profunda. Brian Duffield e Adam Cozad dão prioridade ao desenvolvimento dos personagens e esquecem dos elementos que dão forma a trama – as criaturas marinhas que aterrorizam os sobreviventes e a indústria para o qual trabalham, cujo lado sombrio (pouco) fica claro no conteúdo explicativo lançado no começo e no fim do filme.

Apesar do roteiro repleto de clichês – como os sobreviventes que vão morrendo um a um e as tentativas mal sucedidas de jump scares – e de se apoiar na fórmula já utilizada por outros filmes de ficção científica, o longa tem uma sofisticada direção de William Eubank, que ganha mais brilho com a fotografia de Bojan Bazelli, que juntos brincam com enquadramentos e filtros criam dão o tom preciso para cada momento do enredo. Certamente o espectador sentirá um pouco de claustrofobia quando os pesquisadores tentam passar por pequenos túneis para fugir da estação bem como, a medida que o longa avança, estará completamente imerso na trama.

Há de se destacar também o elenco – enquanto alguns personagens são indispensáveis, outros são pontos chave para a trama. No primeiro caso, temos Vincent Cassel e T.J. Miller na lista, sendo que este segundo ainda se salva por ser o alívio cômico da trama; já Jessica Henwick e John Gallagher Jr. não só entregam a química que seus personagens possuem como trabalham muito bem ao lado de Kristen Stewart na pele da engenheira mecânica Norah.

Saída de “Crepúsculo” e percorrendo uma carreira cheia de altos e baixos, Kristen Stewart mais uma vez mostra todo o seu potencial como atriz. Como Norah ela se entrega ao papel e desenvolve com maestria as diferentes nuances da personagem, que passa por momentos diferentes ao longo da trama, desde os momentos de fuga ou de terror até as tomadas mais dramáticas da produção.

É no começo do filme que vemos também Norah como a grande protagonista. A primeira cena é de Kristen Stewart vivendo sua rotina ao mesmo tempo em que ouvimos um voice over da atriz discursando sobre como é complicado viver sozinho no fundo do mar. Em seguida, a engenheira mecânica percebe algo anormal e uma ação fora do comum toma conta do longa do início ao fim. E é dessa forma que, apesar dos clichês e de ser mais do mesmo quando se trata do gênero sci-fi, Ameaça Profunda acaba prendendo o espectador na cadeira do cinema, conquistado pelo ritmo frenético dos acontecimentos e pela curiosidade de saber o destino de Norah e seus colegas de trabalho.

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