Nova série “Euphoria” mostra a realidade adolescente sem pudores. (Foto: HBO/Divulgação)

O universo que Euphoria, nova série da HBO em parceria com o estúdio A24, apresenta já em seu primeiro episódio é um sem fim de drogas, sexo, abuso e problemas familiares. Esses elementos estão intimamente ligados e alimentam uns aos outros, em um círculo vicioso onde as noites são coloridas de luz neon e embaladas ao som de rap. Problemas mentais como depressão, ansiedade e ataques de pânico – mais conhecidas como as doenças do século 21 – também estão presentes, e servem como catalizadoras de alguns dos comportamentos destrutivos demonstrados por certos personagens.

O principal deles é Rue, interpretada pela atriz Zendaya. É ela quem nos introduz aos demais personagens e sua narração é o guia que nos ajuda a navegar a confusa e tortuosa realidade da geração Z americana de classe média. Não que os temas abordados não possam ser aplicados a adolescentes ao redor do mundo, porém a série faz um recorte específico e intencional de um grupo demográfico que flutua no limbo entre a riqueza e a pobreza, sem meios de aproveitar o luxo e os excessos providos pela primeira e sem as dificuldades e restrições da segunda.

“Euphoria” faz as vezes de coelho branco, levando o espectador, tal qual Alice, para dentro de um mundo ao mesmo tempo estranho e familiar, onde perigos reais se escondem atrás de aplicativos de encontro e drogas que começam como diversão acabam em dependência e overdose. Talvez o que a série consegue retratar com mais veracidade e precisão, acima de tudo, seja a sensação de dormência e a indiferença que grande parte dos adolescentes de hoje sentem para com o mundo à sua volta, apesar de serem alvo de estímulos constantes – ou talvez especialmente por causa disso, tornem-se imunes cada dia mais rápido.

Enredo

Para Rue, especificamente, as drogas trazem um momento breve de paz e serenidade: alguns segundos preciosos durante os quais sua mente fica vazia e em silêncio e o medo desaparece. Já o vício de Jules, vivida pela atriz trans Hunter Schafer, são relacionamentos tóxicos com homens mais velhos. Um desses encontros é com Cal Jacobs, interpretado por Eric Dane. Casado e pai de três filhos, um dos quais ameaça Jules durante uma festa, sem dúvida ainda será causa de muitos problemas. O evento em questão serve como destino final de grande parte dos personagens, e é onde Rue e Jules se conhecem. A mistura de amizade e atração entre as duas promete ser o motor central da trama.

Com a estreia nesse último domingo (17), é de se esperar que apareçam abaixo-assinados e críticas de pais sobre “cenas explícitas demais” e “influências negativas”, mas talvez o que esses adultos estejam realmente preocupados, seja com a perda da visão inocente que têm sobre seus filhos e filhas adolescentes e sobre o que eles enfrentam no mundo real. Com a promessa de não usar de sensacionalismo gratuito e entregar mais do que apenas ousadia sem aprofundamento, a série tem potencial para surpreender nos próximos episódios.

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