Rodrigo Lombardi em cena de Carcereiros: O Filme (Foto: Divulgação/Globo Filmes)

Depois de duas temporadas de sucesso na TV Globo e no streaming da emissora além de um prêmio na MIPTV em Cannes, Carcereiros: O Filme chega aos cinemas trazendo uma nova trama com os já conhecidos personagens da obra adaptada do livro homônimo de Dráuzio Varella. Resgatando o formato do seriado que fisgou os telespectadores pela televisão, o longa metragem invade as telonas com diálogos cheios de críticas sociais e cenas de ação que nada devem ao cinema americano.

Carcereiros: O Filme narra o dia a dia de Adriano (Rodrigo Lombardi), carcereiro de uma penitenciária em São Paulo, e seus colegas de trabalho, bem como a sua relação com os presidiários. Com personagens já conhecidos da TV, a produção introduz novos nomes e histórias e faz um breve resumo da dinâmica da trama antes do título surgir na tela.

Quando a história se desenrola, conhecemos um terrorista (Kaysar Dadour) que chega à penitenciária para passar a noite enquanto aguarda a transferência para fora do país pela Polícia Federal. Sob a responsabilidade de Adriano e seus colegas carcereiros, o terrorista vira alvo dos outros presos, que armam uma revolta ao descobrir uma de suas atrocidades – a explosão de uma bomba em uma escola, matando crianças. Uma tensão se instaura na prisão, cela por cela e nos corredores, principalmente quando o presídio é invadido e se transforma num verdadeiro cenário de guerra.

A direção de José Eduardo Belmonte repete a atmosfera da série, que passa com realidade a sensação de estar numa penitenciária, seja pelo sentimento de viver em cárcere, seja pelas diferentes realidades que ali se encontram e transformam-se numa só. Rodrigo Lombardi mais uma vez surpreende, assim como na série, com uma atuação que flui entre as várias facetas do personagem. Outro destaque está na interpretação de Rômulo Braga que surge com Juarez, um dos líderes de um grupo de presos, que ao mesmo tempo em que causa empatia mostra o quão perverso é.

O desenvolvimento dos personagens não só se atribui aos atores, mas ao roteiro aqui escrito a quatro mãos. Marçal Aquino, Fernando BonassiMarcelo Starobinas Dennison Ramalho escrevem diálogos sólidos e imersivos que conseguem permear entre a tensão das cenas de ação e aos momentos de discussões relevantes, principalmente no que tange assuntos como a precariedade do sistema carcerário, a politicagem, corrupção e as regalias para os mais ricos dentro da prisão.

Contudo, há de se destacar que o roteiro pesa na mão quando busca um alívio cômico no carcereiro de Ivan de Almeida, que repetidas vezes se torna refém dos presos apesar de se mostrar bastante controlador e no caricato comandante de Jackson Antunes, que muito lembra os exagerados personagens que surgem nos quadrinhos e que nada condizem com a realidade.

E se Carcereiros: O Filme buscou na série a inserção de debates através de diálogos muito bem construídos, bebeu da fórmula de Hollywood para levantar os alicerces para alguns sequências de ação de tirar o fôlego. Por minutos, o som é levado às alturas e tiros ecoam pela sala do cinema enquanto na tela o que se vê é um verdadeiro cenário de guerra com lasers apontando para os alvos, corpos caindo ao chão e muito sangue. Apesar da inspiração nítida no cinema americano, a direção de Belmonte consegue definir a sua identidade e faz de Carcereiros: O Filme um longa de ação com a qualidade que há muito tempo não se via no cinema nacional.

Comentários

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui