Jared Harris interpreta cientista em “Chernobyl” (Foto: HBO/Divulgação)

Esqueça os monstros, alienígenas, fantasmas ou psicopatas que andam pelas ruas empunhando coisas como serras elétricas. Não, existe um gênero do terror que é infinitamente mais assustador do que qualquer outra coisa que a ficção possa criar: os horrores da vida real. Esse é o caso da explosão da usina nuclear de Chernobyl, ocorrida em 1986 na antiga União Soviética. Agora, a série de mesmo nome exibida pela HBO conta em detalhes uma tragédia de proporções tão monumentais que parece ter sido inventada.  

Dirigida por Johan Renck e escrita por Craig Mazin, a minissérie de cinco capítulos não é documental, mas sim uma versão baseada nos acontecimentos e pessoas reais envolvidas na tragédia. Um quebra-cabeças do acidente que causou a morte de um número estimado entre 4 e 93 mil pessoas, deixando milhares de outras incapacitadas, devido à exposição aos níveis da radiação que foi liberada durante a explosão de um dos 4 reatores nucleares localizados na cidade de Pripyat, na Ucrânia.    

Chernobyl começa cerca de 4 anos após o acidente, retorna para o momento da explosão, ilustrando suas consequências e as medidas para tentar conter um desastre quase impensável. Depois finaliza voltando no tempo para mostrar os fatos que, juntos, causaram a catástrofe. Tudo isso usando de uma bela cinematografia, trilha sonora e efeitos visuais impressionantes, além de um elenco impecável que conta com Jared Harris, Stellan Skarsgård e Emily Watson. 

Destaque também para Jessie Buckley como a jovem Lyudmilla Ignatenko, cujo papel é representar as pessoas inocentes que não faziam ideia de que suas vidas estavam em risco a partir do momento que uma luz forte e colorida acendeu o céu da cidade naquela madrugada. Os motivos que levaram ao acidente são importantes, mas o sofrimento dos que foram atingidos é talvez o elemento mais forte da produção.      

Relevância

A série tem sido sucesso de público e crítica, e com razão. Trata-se de uma das poucas produções que conseguiram abordar um tópico complexo usando um ótimo roteiro, atores excepcionais e direção de alta qualidade. A pergunta central, “qual é o custo das mentiras?”, tem resposta fácil. As vidas de milhares de homens, mulheres e crianças que foram perdidas devido ao orgulho, cobiça e ignorância de um grupo de poucos. São esses fantasmas do passado que a série traz de volta. Em uma era de fake news, informações desencontradas e governos que desejam manter a sociedade no escuro, uma série como Chernobyl, que foca no poder da verdade, nunca foi tão importante.

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