Era Uma Vez em Hollywood
Era Uma Vez em Hollywood (Divulgação)

Era uma Vez em… Hollywood pode não ser o filme mais clássico de Tarantino no sentido mais restrito da palavra, ou seja, não possui uma presença tão forte dos elementos mais conhecidos da sua obra, como excesso de sangue e de violência extrema, porém ainda assim consegue transmitir de forma muito clara a sua essência como diretor e como pessoa: a de um amante eterno do cinema.

O longa é estrelado – convenientemente e de forma até poética – por duas das últimas grandes estrelas de Hollywood, Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. A história dos seus personagens, o ator Rick Dalton e o dublê Cliff Booth, respectivamente, funciona tão bem muito provavelmente em grande parte devido ao carisma da dupla. Carisma de sobra fica por conta também da atriz Margot Robbie interpretando a icônica Sharon Tate, que apesar de sofrer com poucas falas, protagoniza alguns dos momentos mais emocionantes.  

Produzido e filmado de forma impecável, o filme é visualmente espetacular, do figurino à direção de arte, um transporte perfeito a Los Angeles dos anos 60. DiCaprio entrega uma performance 100% convincente de um ator beirando cada vez mais à decadência e que começa seriamente a questionar suas habilidades e seu lugar em uma indústria que está em plena evolução. Já Pitt – aos 55 anos e em incrível forma, tanto artística quanto física – nunca esteve mais confortável do que na pele de Cliff, o completo oposto de Dalton, feliz com pouco e sem nenhuma preocupação além de fumar, beber, e cuidar da sua pitbull de estimação.     

Conforme o longa entra no seu segundo ato, fica claro que Quentin não pretende levar o enredo muito mais adiante do que aquilo que já foi apresentado: um recorte específico de uma era do cinema americano, com uma mistura de ficção, locais e acontecimentos reais, populada por charmosos personagens. A única surpresa chega realmente no final, em uma reviravolta interessante, porém que pode passar despercebida por aqueles que não são familiarizados com alguns fatos históricos. A sensação é que estamos invadindo um projeto particular de Tarantino, assistindo a algo que não foi exatamente pensado para ser consumido pelo grande público, mas sim por aficionados tão apaixonados quanto ele.

Obviamente isso não é um defeito em si, nem algo precisamente negativo, mas pode ter como consequência à alienação de uma parcela considerável da audiência que não compartilha dos mesmos interesses. O que não significa dizer que o espectador comum não ficará entretido – apenas talvez não o suficiente. “Era uma Vez em… Hollywood”, em suma, é um presente oferecido por Quentin a todos, mas que apenas será verdadeiramente apreciado por poucos.

 

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