Hebe – A Estrela do Brasil (Divulgação)

Qualquer brasileiro vivo durante as décadas de 80, 90 e começo dos anos 2000 não conseguirá reprimir o sentimento de nostalgia ao assistir à Hebe – A Estrela do Brasil, que chega aos cinemas essa semana. Uma das maiores personalidades da televisão, ame-a ou a odeie, é simplesmente impossível ficar imune a ela. Uma mulher de origem humilde, do povo, e que cresceu na vida e na carreira justamente devido a ele, que sempre colocava em primeiro lugar.

Não espere uma cinebiografia comum, chata ou quadrada, afinal essa não era Hebe. O filme de Maurício Farias (O Coronel e o Lobisomem), acostumado a trabalhar com televisão, explora diferentes visões e ângulos da mulher por trás das câmeras, e até mesmo no palco. Nas várias cenas que mostram a protagonista, Andréa Beltrão, de costas, ou de perfil, a semelhança impressiona. 

Porém rapidamente fica claro que o intuito do longa, e especialmente da atriz, não é entregar uma cópia da apresentadora, e sim uma homenagem. Beltrão não recorre à imitação em si, mas encontra um meio-termo inteligente: ela incorpora com maestria a forma de falar, sotaque, os trejeitos – e o mais importante – o espírito de Hebe, sem em nenhum momento parecer forçada. 

O filme faz um recorte específico da sua história, os conturbados anos 80, que no Brasil ainda cheiravam à ditadura militar e um governo que não via com bons olhos os seus comentários sobre política, sobre os abusos contra a liberdade de expressão, contra a sociedade e em especial seu respeito e apoio à comunidade LGBTQ. Foi durante esse turbilhão que Hebe se mudou da Band para o SBT, quando quase foi processada pelos deputados que criticava, quando perdeu amigos para a AIDS. 

Também foi nesse período que enfrentou o pior momento do seu segundo casamento com Lélio Ravagnani (Marco Ricca), vítima de um relacionamento abusivo e violento. As inseguranças, o excesso de álcool e o amor incondicional pela família, o filho único Marcello (Caio Horowicz) e o sobrinho Claudio Pessutti (Danton Mello), tudo isso é retratado pela bonita câmera de Farias.

O longa pode não ser perfeito – há uma queda no ritmo do terceiro ato e Horowicz empalidece quase que completamente frente à presença de tela de Andréa e não foi uma escolha muito inteligente – porém o resultado geral é mais do que gratificante. Há momentos hilários, emocionantes e surpreendentes de uma Hebe Camargo que até agora poucos conheciam, e que poderão ser conferidos a partir da próxima quinta, dia 26. 

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