It A Coisa 2 (Divulgação)
  • Por: Paulo Cavalcante

Em 1990, a obra de Stephen King “It: A Coisa” ganhava vida ao ser adaptada para a televisão sob a marcante interpretação de Tim Curry. De lá pra cá, a minissérie que acabou virando telefilme virou referência entre os bons filmes de terror até que Andy Muschietti desse uma nova cara ao suspense, desta vez nos cinemas, em 2017. Dividido em duas partes, o terror traz de volta Pennywise e seus ataques à população de Derry agora em It – Capítulo 2, com o desafio de desenvolver na telona a mitologia criada por King e assustar tanto quanto o primeiro filme.

A sequência se passa vinte e sete anos depois dos eventos que marcaram a vida dos jovens que fazem parte do Clube dos Otários. Na vida adulta, todos deixaram Derry – exceto Mike (Isaiah Mustafa), que permaneceu na cidade estudando o caso do palhaço Pennywise e a consequência das suas ações naquele local. Quando começam a surgir indícios de que o palhaço está de volta, ele trata de reunir os seus antigos amigos, que inicialmente resistem à ideia de retornar diante dos traumas de infância.

Os personagens surgem um a um na tela e aos poucos vamos conhecendo como está a vida deles 27 anos depois. Para alguns a vida mudou completamente enquanto para outros as situações se repetem. E é assim que eles deixam suas vidas para retornar a Derry e reencontrar Mike (e o Pennywise): deixando de lado essa nova fase para retomar lembranças do passado ou largando tudo para fugir de um trauma que se repete.

Se no primeiro filme o Pennywise buscava assustar as crianças de uma forma mais crível, na sequência vemos a exploração de caracteres bizarros, frutos dos medos da mente adulta. Outra diferença entre as duas obras cinematográficas é que enquanto o primeiro era mais fluido e explorava com mais intensidade o terror mantendo um clímax constante, em It – Capítulo 2 o começo é mais lento, buscando assimilar – por parte do público – os rostos adultos aos jovens por meio de flashbacks e retomar a ligação entre os personagens.

O passado inclusive toma bastante tempo da narrativa não só para destacar o efeito nostálgico de rever o Clube dos Otários, mas para explicar brechas deixadas no primeiro filme que são cruciais para o desfecho da trama com o Pennywise. Assim, passado e presente se unem para resgatar os medos e entender como funciona a principal arma do inimigo.

Cabe destacar a escolha do elenco, que encontrou em Jessica Chastain, (Beverly), James McAvoy (Bill), Bill Hader (Richie), Isaiah Mustafah (Mike) e James Ransone (Eddie) as semelhanças físicas ao elenco adolescente e conseguiu explorar seu talento frente às câmeras.

James McAvoy é um dos pontos altos do filme, que assume as rédeas do Clube dos Otários com o Mike de Mustafa e se sai muito bem como um voyeur do seu pesadelo. Jessica Chastain segue a mesma onda, dando a profundidade que a personagem Bev exige e que foi tão bem caracterizada por Sophia Lillis no primeiro longa.

O sueco Bill Skarsgård também não pode deixar de ser mencionado já que aqui repete as caras e bocas assustadoras e uma atuação sensacional à frente e por trás da maquiagem do Pennywise.

Com um desfecho apoteótico, nostálgico e sentimentalista, It – Capítulo 2 cumpre a sua missão em produzir uma adaptação à altura da relevância da obra de Stephen King, entregando não só produção e boas atuações, mas também uma trama de horror e medo que convence assim como fez o suspense estrelado por Tim Curry, diante das limitações do seu tempo, na década de 90.

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