Lília Cabral em cena de Maria do Caritó (Foto: Divulgação/Globo Filmes)

Baseado na peça teatral homônima do pernambucano Newton Moreno, o filme Maria do Caritó resgata para as telonas o texto escrito para o retorno de Lília Cabral aos palcos. Ela, aliás, repete o protagonismo também no vídeo interpretando uma personagem tão delicada e ao mesmo tempo louca para deixar de lado todos os seus pudores.

Na produção que estreia nos cinemas neste 31 de outubro somos apresentados à personagem título, que foi prometida pelo pai para ser entregue virgem a São Djalminha. Embora ninguém conheça o santo, todo mundo do povoado sabe que Maria só nasceu por um milagre dele. Com status de santa, Maria cresceu e envelheceu enclausurada, sem nunca ter encontrado seu verdadeiro amor – algo que ela está decidida, a partir de então, a achar.

Levado para as telonas sob a direção de João Paulo Jabur, o filme se apoia no apelo popular da história que conquistou plateias em sua versão teatral. Maria do Caritó é uma trama que trata a situação nada agradável da personagem de forma sensível e bem humorada, com uma atuação delicada e cheia de nuances de Lília Cabral, nitidamente afiada com o texto.

O elenco de apoio não fica para trás – vemos Kelzy Ecard bastante à vontade frente às câmeras em seu primeiro filme, apesar do grande domínio dos palcos; Juliana Carneiro da Cunha como uma circense cheia de segredos e Gustavo Vaz, um russo “fake” e galanteador, que promete garantir lágrimas e risos em suas interações com a Maria de Lília Cabral.

A adaptação do texto para os cinemas traz a essência da narrativa teatral com toques do cordel enraizado na pernambucanidade de Newton Moreno e uma pegada moderna, com direito a uma apresentação dos hits do momento que empolgam qualquer plateia. Contudo, é claro o quanto a direção se perde tentando diferenciar o produto para o cinema da televisão.

Ao espectador, principalmente no primeiro ato, fica a indagação de que aquilo que está assistindo poderia se encaixar, sem prejuízos ao produto final, como uma minissérie para a TV (diferente aqui, mas fato comum nos últimos anos em que filmes vem ganhando material inédito e sendo apresentados posteriormente em versão estendida no formato de série na televisão).

Apesar de se passar numa comunidade interiorana cujo conservadorismo está enraizado, o filme consegue tocar com muito bom humor em discussões bastantes atuais que vão desde o machismo e sexismo à influência da igreja e da religiosidade sobre o povo e a política. Assim, Maria do Caritó é um filme de jornada que trata de forma descontraída, mas com relevantes pitadas de drama, o caminho de liberdade de uma mulher que por tempos viveu aprisionada aos ideais de uma sociedade que fechou os olhos e acreditou em milagres irreais.

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