Daniel de Oliveira em Morto Não Fala (Foto: Reprodução/Pagu Pictures)

Em seu primeiro trabalho como cineasta, Dennison Ramalho usou de sua experiência como roteirista de filmes de terror e em suspenses televisivos como “Supermax” (TV Globo) para desenvolver o longa Morto Não Fala, que chega nesta quinta-feira, 10 de outubro, nos cinemas brasileiros. Aclamado nos festivais de gênero fora do país, o filme estrelado por Daniel de Oliveira tenta levar terror de qualidade como há muito tempo não se vê em terras tupiniquins.

Morto Não Fala conta a história de Stênio, que trabalha no período noturno no necrotério do Instituto Médico Legal (IML). A cada corpo que chega, o rapaz exerce o seu dom de conversar com os mortos e ouve os maiores segredos disfarçados de desabafo daqueles que irão trocar as últimas palavras com um ser vivo antes de partir. Contudo, quando Stênio usa uma dessas confissões ao seu favor, ele acaba descobrindo da pior maneira que segredo de morto é sagrado – ele e sua família, bem como qualquer um que se aproxime, acabam amaldiçoados.

O roteiro de Dennison Ramalho e Claudia Jovin é afiado, tocando na feridas de temas relevantes e atuais, que vão desde as intensas jornadas de trabalho e a desvalorização do empregado até as relações familiares e a marginalidade. Esses aspectos se desenrolam de forma discreta, nas entrelinhas da trama sobrenatural que assola os personagens.

Outro ponto forte é a seleção de elenco, com um Daniel de Oliveira que coleciona mais uma de suas melhores atuações e se entregando ao personagem, revelando as diversas facetas do Stênio ao longo da trama. O ator expressa cada momento do personagem, seja aquele tímido rapaz passivo e entregue aos problemas da vida, seja o corajoso necropsista que enfrenta os seus maiores demônios para salvar a família.

Apesar do personagem pouco trabalhado, Bianca Comparato assume as rédeas e demonstra conforto frente às câmeras a medida que sua personagem cresce na segunda metade do filme. O elenco mirim também é um acerto, interagindo bem com os adultos e reagindo de forma crível aos exageros que o gênero terror exige. Um ponto fora da curva é Fabíula Nascimento, que apesar de desenvolver bem sua personagem, a caricata Odete, acaba prejudicada pelo excesso de CGI nas suas cenas sobrenaturais.

Com Morto Não Fala, Dennison Ramalho faz um terror nacional coerente e que há muito tempo não se produz no país. Lançando mão dos clichês de produções internacionais e levando em consideração o baixo orçamento, a produção dá um banho em muito terror hollywoodiano.

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