O Caso Richard Jewell
O Caso Richard Jewell (Imagem: Divulgação)
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Hollywood nunca foi sinônimo de fidelidade – disso já estamos cansados de saber – por isso nunca é aconselhável levar um filme de ficção 100% a sério, mesmo baseado em fatos reais. Esse é o exemplo de O Caso Richard Jewell, o mais novo longa dirigido por Clint Eastwood.

Em 7 de julho de 1996, durante as comemorações das Olimpíadas de Atlanta, um segurança chamado Richard Jewell avistou uma mochila suspeita e acionou as autoridades, ajudando a polícia a começar a evacuação da área. Poucos minutos depois uma bomba recheada de pregos – usados para causar ainda mais danos – explodiu no local causando uma morte por ferimentos fatais, outra por ataque cardíaco e deixando várias pessoas seriamente feridas.

Jewell imediatamente foi reconhecido como herói, aparecendo em jornais e programas de televisão e recebendo propostas para contar sua história em um livro. A aclamação não durou muito tempo, uma vez que o FBI, por falta de suspeitos e sentindo-se pressionado, passou a acreditar que o perfil de Richard – obeso, vivendo com a mãe (Kathy Bates) e com desejo de entrar para a força policial – se enquadrava como o do possível terrorista

No filme de Eastwood, o personagem real é vivido por Paul Walter Hauser (Eu, Tonya) em uma das melhores atuações do ano. Fora a semelhança física impressionante, Paul consegue transmitir ao mesmo tempo inocência e uma certa bravata de um homem com um ligeiro gosto pelo poder e autoridade. Ao seu lado está Sam Rockwell como um advogado problemático que aceita o desafio de representá-lo, e vê-los em cena se alimentando do talento um do outro é o que longa tem de melhor.

Armadilha

Além da incompetência do FBI, que nunca possuiu provas concretas do envolvimento de Jewell, o filme mostra como a mídia – que em um segundo o adorava como herói – foi rápida em comprar e disseminar a ideia de que ele seria o principal culpado, transformando sua vida e da sua família em um inferno por meses. Semelhanças com a era das fake news não são meras coincidências.

Recentemente a atriz Olivia Wilde saiu em defesa do longa após críticas sobre a forma como a jornalista Kathy Scruggs do Journal Constitution é representada (usando dos seus atributos físicos para conseguir informações sobre o caso). Voltando ao ponto inicial, Clint toma liberdades com o material original para servir seus próprios planos, o que no fim das contas se mostra desnecessário quando a verdade por si só já é dramática o suficiente.

Em um ano de extrema concorrência na categoria Melhor Ator com nomes como Adam Driver e Joaquin Phoenix, o ótimo trabalho de Paul pode acabar sendo “enterrado”, o que é uma pena. Se serve de consolo, sua brilhante carreira está apenas começando.

 

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