Rainhas do Crime (Divulgação)

Rainhas do Crime é um filme que, de certa forma, traduz um pouco da mudança que vem tomando conta de Hollywood nos últimos 2 anos. Um filme que discorre detalhadamente sobre os processos internos da máfia irlandesa na Nova Iorque dos anos 70, especificamente o lendário bairro de Hell’s Kitchen, do ponto de vista de três mulheres de idades, passados e raças diferentes basicamente jamais teria recebido o sinal verde para ser produzido, digamos, há cinco anos. 

O elenco é formado por Melissa McCarthy, Elisabeth Moss e tentando acompanhar o ritmo das duas, a comediante Tiffany Haddish. Logo de início somos apresentados às personagens e seus respectivos maridos, membros da máfia irlandesa que comanda o negócios na região. Kathy (Melissa) é a única mãe de dois filhos, e cujo casamento com Jimmy (Brian d’Arcy James) é genuinamente feliz. Ruby (Haddish), além de traída, precisa aguentar a sogra que a despreza e enfrentar o racismo por parte de uma comunidade predominantemente branca. A situação de Claire (Moss) não fica atrás, constantemente apanhando do marido.

Depois de um assalto que termina mal, os homens são condenados à prisão, e quando a promessa da máfia de sustentá-las vai por água abaixo, elas decidem tomar o negócio nas próprias mãos, e rapidamente lucram muito mais do que imaginavam, conseguindo até mesmo fechar acordo com grupos rivais. A diretora Andrea Berloff tem experiência em retratar o mundo do crime, e trabalha bem e de forma realista a maioria das cenas onde há confronto, tiros são disparados e personagens são mortos – o que acontece constantemente.

Um dos pontos altos do longa é o arco de Claire e seu não-convencional relacionamento com Domhnall Gleeson (Questão de Tempo, Ex_Machina) que interpreta o doce psicopata Gabriel O’Malley. Com o marido na cadeia, a atração de anos vem à tona e eles iniciam um caso. A personagem é a única a passar por uma verdadeira transformação: de vítima frágil a alguém segura de si e altamente perigosa. Quando estão juntos na tela, a dupla parece estar em um filme só deles – um bem melhor, diga-se de passagem – e a dinâmica e química que compartilham é tão boa e a história tão promissora, que poderia render uma série de tv.

De forma geral, o roteiro e especialmente a edição apresentam problemas, com cenas que começam e terminam sem muita explicação, diálogos que poderiam ter sido mais polidos e um terceiro ato com decisões bastante questionáveis. Mesmo com defeitos, “Rainhas do Crime” entra para um rol infelizmente ainda bastante restrito, o de filmes com temática de crime e violência extrema liderado por mulheres (“As Viúvas”, de Steve McQueen vem à mente). As estrelas do longa comentaram em entrevista que para que mais projetos como esse cheguem aos cinemas, é preciso que o público os apoiem e comprem ingressos. No caso desse, especificamente, o dinheiro vale a pena. 

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