Crítica: Rocketman explode em cores, música, e emociona

Taron Egerton em Rocketman (Paramount/Divulgação)

O título Rocketman aparece na tela escura coberto de diamantes que brilham incansavelmente, uma referência mais do que direta ao artista cuja carreira foi marcada pelo tipo de glamour que poucos experimentam. Porém a biografia musical de Elton John está mais preocupada em explorar os recantos obscuros da vida do artista. Seus vícios, paranoias e problemas familiares e amorosos, do que ser simplesmente uma compilação das suas maiores canções ou um mergulho em seu fabuloso guarda-roupa de peles, penas e glitter – muito glitter. Sem dúvidas, o filme dirigido por Dexter Fletcher com co-produção do próprio cantor, torna-se infinitamente melhor por isso.

A primeira vez que o pequeno Reginald Dwight, seu nome de batismo, senta em frente ao piano, é para tocar uma melodia ouvida no rádio, ao acaso. A música é reproduzida de ouvido, sem nenhum conhecimento de notas ou partitura. Anos mais tarde, Elton aprenderia a unir instinto e técnica. Em casa, encontra apoio apenas na avó Ivy (Gemma Jones), sofrendo pela falta de carinho paterno e pelo desleixo da mãe (Bryce Dallas Howard). Traumas que perseguiram o cantor durante quase toda a vida.

Uma aventura da vida real

Esses fatos são narrados em detalhes por Elton, interpretado magistralmente por Taron Egerton – agora mais velho e com os cabelos rareando – vestindo apropriadamente um figurino de demônio. O local, uma sessão de terapia em grupo. O cantor está em busca de ajuda para combater seu vício em substâncias, compras e sexo. Conforme as histórias se tornam mais pesadas e intimistas, o figurino também se desmancha, camada por camada, revelando sua verdadeira imagem. 

E é graças ao talento de Taron que, mesmo fantasiado com os figurinos mais extravagantes, conseguimos perceber claramente sua essência e melancolia. Rocketman nos leva por uma viagem emocionante e sem censuras através do passado de um artista único, que experimentou todas as versões de si mesmo e de sua música até encontrar sua expressão mais verdadeira.

O filme possui um tom épico e com razão, uma vez que a vida de Elton foi até agora, de fato, uma verdadeira aventura. Entre o sucesso relativamente repentino, o abuso de substâncias, os fantasmas do passado e apesar da insegurança, o cantor sobreviveu e prosperou. Navegou um sonho psicodélico que se tornou real e hoje figura como um dos diamantes mais brilhantes da música e da cultura pop de todos os tempos. Rocketman estreia nos cinemas de todo Brasil nessa quinta, 30 de maio.

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