Crítica: Série da Netflix sobre estupro é inacreditável

Inacreditável

Inacreditável, esse é o nome da série que a Netflix lançou recentemente com uma abordagem sobre estupro. A atração é estrelada por Toni Collette, de United States of Tara, por exemplo, e Merritt Wever, que vivia a adorável Zoey em Nurse Jackie.

Aliás, sobre Merritt Wever, é surpreendente vê-la num trabalho tão adulto após anos acompanhando-a como a destrambelhada enfermeira amiga da protagonista. Convence.

Bom, Unbelievable é inacreditavelmente baseada em fatos reais e foi lançada no segundo semestre do ano passado no serviço de streaming. A história é chocante: mostra o relato de uma jovem estuprada, que é incansavelmente ouvida pela polícia e após muitos relatos acaba convencida a assumir que mentiu e precisa até pagar uma multa por ter “feito” isso.

Ninguém acredita nela, exceto um amigo. E nesse meio tempo, enquanto ela tenta recuperar sua vida, algo absolutamente impossível, já que foi ultrajada pela sociedade e precisa conviver com situações desagradáveis pois precisa trabalhar, duas investigadoras se unem para encontrar um estuprador que está fazendo dezenas de vítimas.

E em todos os casos, suas atitudes são semelhantes: tenta fazer amizade com as vítimas, faz questão que elas tomem banho, limpa todos os cômodos deixando-os impecáveis e com a impossibilidade de que seja descoberto. Por isso, as investigadoras acabam suspeitando que alguém da polícia possa estar envolvido.

Depois de muitas e incansáveis buscas, elas acabam chegando a um nome, e é aí que o título escolhido para a minissérie faz total sentido, pois é inacreditável que a polícia tenha feito Marie passar por tantas situações constrangedoras quando no final das contas são as insistentes investigadoras, que nada tinham a ver com o caso, que descobrem o que de fato aconteceu e ajudam a dar novamente dignidade à jovem.

Marie sequer ouve um pedido de desculpa dos homens que a forçaram a mentir!

Muito bem construída, Inevitável vem num momento em que campanhas como Não é Não são realidade no Brasil, e após o #MeToo nos Estados Unidos, com diversas denúncias de assédio sexual contra poderosos de Hollywood.

Ou seja, apesar de embrulhar o estômago especialmente por tratar-se de uma história real, vem em um momento para servir de instrução e estímulo para que vítimas desses e outros casos lutem por justiça.

Jornalista especializado em entretenimento, consumista de streaming e cinemaníaco de carteirinha.