Star Wars: A Ascensão Skywalker
Star Wars: A Ascensão Skywalker, que chega em dezembro de 2019 aos cinemas (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
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J.J Abrams recebeu provavelmente uma das tarefas mais difíceis dos últimos anos no cinema: encerrar uma das sagas mais veneradas de todos os tempos com A Ascensão Skywalker. Infelizmente, a escolha do espetáculo acima de um bom desenvolvimento, aliado à uma suposta necessidade de “corrigir os erros” do longa anterior resultaram em um capítulo final confuso e sem emoção genuína.

A Ascensão Skywalker começa correndo e praticamente não diminui o ritmo durante suas quase duas horas e meia de duração. Isso funcionaria para uma produção de ficção científica qualquer, na qual explosões e belos cenários são suficientes para distrair o público, mas não aqui. Não quando se trata de personagens e de uma história que os fãs têm acompanhado há décadas.

Ao invés de grandes surpresas, o filme entrega sequência após sequência recheadas de uma nostalgia óbvia e chata, com um roteiro pobre que não consegue elevar o que poderiam ser ótimos momentos. O enredo se assemelha ao de um vídeo game no qual os protagonistas precisam atravessar várias fases, recolher objetos durante a jornada enquanto esbarram com novos e rasos personagens, e seguir – sempre correndo – em direção ao destino final para enfrentar O Grande Inimigo.

Escolhas

Criticar o filme de Abrams sem compará-lo a Os Últimos Jedi deveria ser o curso correto de ação, porém o próprio diretor gasta metade do tempo se esforçando para desfazer completamente o que Rian Johnson criou; em termos de levar a franquia por novos caminhos e tomar decisões corajosas. Ao invés de inspirar medo, o retorno do vilão Palpatine rescende à naftalina.  

O capítulo final deixa ainda mais nítida a falta de coesão entre os títulos da nova trilogia, e mostra um J.J ansioso tentando agradar a gregos e troianos condensando material suficiente para dois filmes em um. Os momentos que deveriam arrancar lágrimas são forçados e plásticos demais para serem levados totalmente a sério, e o melhor do longa acaba ficando por conta de Adam Driver, que impressiona tanto pela atuação quanto pela fisicalidade de Kylo Ren/Ben Solo.

A Ascensão Skywalker pode até ser um retorno às raízes, porém em uma viagem confusa na qual os personagens se perdem tentando seguir vários caminhos ao mesmo tempo. É triste admitir que a sensação ao sair do cinema é de vazio e decepção. De ter acompanhado um circo visual sem conteúdo de real qualidade no que já está sendo considerado o ponto mais fraco da saga.

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