A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, vem crescendo entre adultos e até jovens. O aumento do sedentarismo, o excesso de peso, uma rotina alimentar desequilibrada e o consumo frequente de álcool estão entre os fatores que impulsionam o problema.
Quando não há tratamento adequado, o quadro pode evoluir para inflamações, cirrose e, em situações mais graves, câncer. O lado animador é que o fígado possui alta capacidade de regeneração e costuma responder bem quando há mudanças consistentes no estilo de vida.
O que significa ter gordura no fígado
A condição surge quando as células hepáticas passam a armazenar mais gordura do que deveriam. No início, quase sempre evolui em silêncio, sem causar incômodos.
À medida que avança, porém, podem aparecer sintomas como dor na região superior direita do abdômen, fadiga persistente, falta de apetite, barriga inchada, dificuldade de emagrecer e dores de cabeça frequentes. O fígado também pode aumentar de tamanho.
Entre as principais causas estão obesidade, colesterol alto, diabetes e ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Embora seja mais frequente em mulheres com rotina sedentária, por influência hormonal, pessoas magras, que não consomem álcool, e até crianças também podem apresentar o problema.
O nutricionista Guilherme Lopes, que atende em Brasília, explica que alguns alimentos podem ajudar no processo de recuperação. Segundo ele, priorizar nutrientes como antioxidantes, colina, ácido alfa lipóico e compostos sulfurados favorece o funcionamento hepático.
Essas substâncias ajudam a reduzir danos oxidativos, participam do metabolismo das gorduras e fortalecem a capacidade do órgão de eliminar substâncias prejudiciais.
Frutas cítricas, ovos, peixes, cebola e alho são alguns exemplos indicados para compor a alimentação. Entre os alimentos que mais se destacam no cuidado hepático estão cinco vegetais amplamente consumidos no país.
Vegetais que favorecem a recuperação do fígado
A alcachofra ocupa lugar de destaque entre os aliados da saúde hepática. Rica em cinarina, ela contribui para a produção de bile e ajuda a proteger as células do fígado.
“Pesquisas já apontaram benefícios até mesmo em quadros iniciais de esteatose”, comenta a nutricionista clínica Sabina Donadelli, que atua em São Paulo.
O brócolis é outro nome importante nessa lista. O vegetal contém sulforafano, composto conhecido pela ação antioxidante e pela capacidade de ativar sistemas que neutralizam toxinas e metabolizam gorduras armazenadas.
“Ele estimula enzimas que atuam na eliminação de substâncias que podem sobrecarregar o fígado”, explica Sabina.
A beterraba oferece betalaínas, pigmentos associados a efeitos anti-inflamatórios e desintoxicantes. De acordo com a especialista, esses compostos favorecem a oxigenação das células e o transporte de nutrientes, dois pontos que ajudam no processo de recuperação hepática.
A couve, amplamente consumida pelos brasileiros, também tem papel importante. A combinação de clorofila e vitaminas C e K ajuda a reduzir o estresse oxidativo e fortalece mecanismos naturais de limpeza do organismo.
A nutricionista Taynara Abreu destaca ainda os compostos sulfurados presentes na folha, que auxiliam na metabolização de gorduras e na eliminação de substâncias nocivas. “Esses compostos contribuem para o processo de desintoxicação hepática”, afirma.
A cebola fecha a lista, graças à presença de quercetina, um flavonoide com efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. Taynara explica que o alimento também contém enxofre, fundamental para a formação de glutationa, um dos principais antioxidantes produzidos pelo próprio fígado.
Os especialistas reforçam que esses vegetais são apenas uma parte da estratégia. Para que o fígado consiga se regenerar de forma efetiva, é essencial manter uma alimentação equilibrada, fazer atividade física com regularidade e evitar álcool e cigarro.
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