Deborah Secco e diretor de Bruna Surfistinha rebatem crítica de Jair Bolsonaro ao filme

Deborah Secco como Bruna Surfistinha
Deborah Secco como Bruna Surfistinha (Imagem: Divulgação)

O presidente Jair Bolsonaro causou polêmica na última quinta-feira (18), durante o evento que comemorou os seus 200 dias de governo, quando anunciou a transferência do CSC – Conselho Superior de Cinema para a Casa Civil, presidida por Paulo Guedes, e fez críticas aos filmes que utilizaram dinheiro público em suas produções, tomando o longa Bruna Surfistinha (2011) como exemplo. 

“Agora há pouco, o Osmar Terra (ministro da Cidadania) e eu fomos para um canto e nos acertamos. Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá”, disparou ele em referência ao longa que conta a história de uma das garotas de programas mais famosas do país. 

A declaração foi feita quando o chefe de estado anunciou que cogita transferir a Agência Nacional de Cinema (Ancine) do Rio de Janeiro para Brasília. 

Deborah Secco rebate

A atriz Deborah Secco que protagonizou o filme citado por Bolsonaro rebateu a crítica através de um áudio disponibilizado pela sua assessoria à revista Veja. “Fiquei muito triste e um pouco chocada do filme ter sido colocado nesse lugar. Temos que falar sobre tudo para que, através da arte, possamos debater sobre a realidade. Não podemos nos calar vendo tudo isso”, lamentou ela. 

Secco ainda acrescentou a importância de debater sobre a situação de vulnerabilidade que vivem  a prostituição no Brasil. “A história retrata uma história real, não só da Bruna, mas de outras mulheres que se encontram nessa situação. Queria muito que nenhuma mulher tivesse que se vender para sobreviver, mas essa não é a realidade no nosso país”

Diretor

O diretor e produtor do filme, Marcus Baldini também se pronunciou. Através de nota, ele defendeu que a obra é de suma importância não só pelo seu valor artístico como também movimentou a economia. 

Bruna Surfistinha é um filme com olhar humano sobre um assunto relevante e presente na vida das pessoas. Seu impacto poderia até ser medido por números: mais de 2 milhões de pessoas assistiram ao filme somente nos cinemas. Mais outros milhões, na TV. Um filme que empregou 500 pessoas diretamente, pagou milhões em impostos, gerou receita para o Governo e foi premiado na Academia Brasileira de Cinema”, afirmou.

Baldini ainda acrescentou: “O filme ajudou a fortalecer a indústria audiovisual e foi recompensado com o interesse do público, que assim se aproxima do cinema brasileiro.”

Bruna Surfistinha é um filme do qual me orgulho. A diversidade é uma das belezas da humanidade e a cultura, sua expressão. O cinema não pode se reduzir a uma ou outra visão de mundo, pois isso nos limita como gente, como povo”, completou.

Amante das diversas formas de expressão cultural. Viciado em séries, e sempre por dentro das últimas novidades do cinema. Ama dramas e sempre tenta dar uma oportunidade para as fantasias, distopias e os longas de ação e terror.

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