Diretor de I Know This Much Is True conta o que o motivou a criar série trágica

Derek Cianfrance com Mark Ruffalo durante gravações de I Know This Much is True
Derek Cianfrance com Mark Ruffalo durante gravações de I Know This Much is True (Divulgação/ HBO)

Quem assistiu à série I Know This Much Is True da HBO, percebeu um aspecto interessante da obra: além de sombria, ela reflete cruelmente a verdade, e a tragédia, algo que o escritor e diretor Derek Cianfrance queria que fosse da tônica do programa, para que pudesse homenagear sua família, e a família de Mark Ruffalo, protagonista do programa.

Ruffalo, perdeu um irmão assassinado em 2008, e Cianfrance perdeu uma irmã em outubro do ano passado, enquanto já estava editando a série. “A série ficou alinhada com o que sinto que seja minha missão como cineasta, que é explorar histórias de família. Histórias dessas conexões íntimas que não escolhemos necessariamente em nossas vidas, mas que estamos vinculados”, disse ele em uma entrevista ao site IndieWire.

“Eu sempre entendi que experimentar uma tragédia – testemunhar, assistir ou ler uma tragédia – pode ser uma experiência angustiante de se passar, mas o ponto da tragédia é purgar suas emoções. Com pena e medo, isso leva à catarse. Então é também aí que minha imaginação sempre me levou, porque, no final, é um lançamento”.

Derek explicou que seu modus operandi nasceu de um certo inconformismo de como as famílias norte-americanas eram retratadas em obras cinematográficas: “Sempre me senti um pouco excluído, no final da adolescência, [quando] fui inundado com esse escapismo, mundos de fantasia e perfeição na. Pessoas perfeitas, dizendo frases perfeitas, com dentes perfeitos para o show de jogos – eu assistia esses filmes e sempre me sentia pior. ‘Oh merda, minha vida não é assim. Por que meus dentes não são assim? Por que não posso falar claramente? Por que não consigo o que quero dessa maneira?’”, disparou contra a felicidade superficial.

O cineasta conta que se sentiu alegre ao conseguir mostrar a dor em sua série, e que chegou a escrever uma única cena de 21 páginas, apenas mostrando, que era possível expor público a algo não tão belo.