Diretor de O Poço explica mensagem social do filme

O Poço
O Poço (Imagem: Divulgação)

O Poço é o nome da nova produção original da Netflix, que ficou disponível na última semana. De origem espanhola, o filme conseguiu se tornar um sucesso estrondoso em tempos de isolamento social por conta do coronavírus e saltou para o ranking dos 10 mais assistidos da plataforma de streaming no Brasil.

O longa tem uma premissa curiosa, trata-se de um tipo de poço, um tipo de prisão vertical, onde moram 2 pessoas por andar, e uma plataforma gigante com um banquete desce do primeiro ao último nível, sendo que cada pessoa deve comer apenas o suficiente já que há comida para todos. Mas isso não acontece, e algumas pessoas comendo mais que as outras, fazem com que as pessoas das camadas mais baixas comecem a morrer de fome. Mas existe um porém, a cada 30 dias, as pessoas aleatoriamente trocam de posição.

O protagonista do filme é Goreng, interpretado por Ivan Massagué, que faz questão de ir para o poço com objetivo de parar de fumar, e lá descobre através de seu companheiro de cela Trimagasi (Zorion Eguileor), que não existem atividades por lá, sendo a única, esperar que a ‘mesa’ de comida chegue até eles. O banquete fica apenas dois minutos em cada um dos andares. O mocinho então percebe que todas as pessoas sobrevivem tentando comer o máximo possível enquanto estão nas camadas mais altas.

O diretor Gaztelu-Urrutia explicou a mensagem social forte que quis passar através dos acontecimentos da produção: “Não se trata de mudar o mundo, mas de entender e colocar o espectador em vários níveis e ver como eles se comportariam em cada um deles. As pessoas são muito parecidas entre si. É muito importante onde você nasceu – em que país e qual família -, mas somos todos muito parecidos. Dependendo da situação na qual você se encontra, você vai pensar e se comportar de uma maneira diferente. Então, estamos provocando o público para entender os limites de sua própria solidariedade”.

Ele relatou que sua intenção era apenas jogar com os sentimentos do público, que poderia usar a empatia. “O Poço quer colocar o espectador em uma posição que o faça pensar em como ele se comportaria em certas situações em relação ao que está acontecendo no mundo real. O que você faria estando nos primeiros e nos últimos níveis? Nós não julgamos, mas fazemos o questionamento e deixamos para o público a decisão”, revelou.