Diretor e elenco de Reality Z comparam série com a situação política do Brasil

Reality Z (Divulgação / Netflix)
Reality Z (Divulgação / Netflix)

Reality Z, série nacional da Netflix estreou na semana passada. O seriado criado e dirigido por Cláudio Torres, é baseado na minissérie britânica Dead Set, de Charlie Brooker. O enredo mostra que alguns sobreviventes de um apocalipse zumbi são os participantes que estavam trancados em uma de um reality show, e agora que saíram do confinamento, tem que tentar sobreviver à nova realidade.

O diretor e o elenco de Reality Z deram uma entrevista para o site Omelete onde fizeram um paralelo entre a ficção e a realidade. Um dos pontos destacados da série é a crítica e sátira dos mortos-vivos comparando com o comportamento dos brasileiros. Na entrevista também foi ressaltado como as pessoas se comportam frente a uma crise, e comparações à situação política do país não faltaram.

Sabrina Sato, que fez um participação especial na série, comentou sobre o arco de um deputado: “É sobre como as pessoas encaram os medos. É impressionante como esse mesmo deputado, na série, se torna pior ainda quando está com medo. A mesma coisa acontece aqui fora com as pessoas. Tem gente que piora numa pandemia como essa, fica mais corrupta”.

Guilherme Weber, que interpreta o diretor Brandão, fez uma reflexão tomando base A Noite dos Mortos-Vivos (1968): “Pandemias zumbi sempre são metáforas para a projeção dos medos primitivos locais. Você citou Romero: o quanto de comentário sobre racismo está implícito na ideia do herói negro que sobrevive aos zumbis apenas para ser morto por policiais brancos?”.

Weber acrescentou: “Especialmente agora, o espectador não está vendo uma pandemia zumbi projetada num medo irracional, mas sim está vivendo junto. Acabou involuntariamente tendo esse sabor, esse poder negativo, infeliz. Acho que existe também algo de você perceber como, nesse momento de crise selvagem, a corrupção vai se mostrando, se organizando e criando novos subterfúgios. É um paralelo com esse Brasil muito duro e muito violento.”

E concluiu: “Lembro de uma fala de O Despertar dos Mortos (1978), do Romero, em que alguém pergunta quem são os zumbis, e a resposta é ‘somos nós’. Talvez vendo esse gênero no Brasil, é possível notar que não há zumbis solitários, só o coletivo. Quem é esse coletivo de descerebrados andando pelas ruas do Brasil durante um momento de pandemia?”.

Finalizando a entrevista, Cláudio Torres comentou sobre o que obras de zumbis podem ensinar: “Diante de uma adversidade sem forma, sem explicação, sem sentido, nós descobrimos nossa força interior, os nossos piores e melhores lados. Se tem algum recado, é: produzam. Escrevam sobre isso. Mergulhem na reprodução e na metaforização do que está acontecendo com a gente neste momento”.