Diretora de Cuties revela que recebeu ameaça de morte por causa do filme e conta como reagiu

Maïmouna Doucouré
Maïmouna Doucouré, diretora de Cuties (Divulgação)

No início deste ano, os espectadores do Festival Sundance viram em primeira mão o filme francês Mignonnes, lançado nos cinemas franceses só em 19 de agosto devido aos adiamentos causados pela pandemia de COVID-19. A diretora do filme, Maïmouna Doucouré, viu sua vida virar um inferno depois que a Netflix comprou o filme para lança-lo em território internacional com o nome Cuties, com direito até a ameaça de morte.

A gigante do streaming fez uma divulgação equivocada com um pôster que para as pessoas ficou parecendo que o longa estava sexualizando as protagonistas pré-adolescentes. Isso provocou uma onda de fúria online, e mesmo a Netflix tendo agido rápido, se pronunciado pedindo desculpas por sua equipe de marketing, e colocando uma arte semelhante à que foi usada nos cinemas franceses, o assunto permaneceu nas redes sociais. As pessoas passaram não apenas a confundir o intuito da obra, como acusar a Netflix de produzir algo que incentivava a pedofilia, sendo que a Netflix sequer produziu, apenas comprou o filme.

Diferença entre os pôster atual, e o antigo pôster de divulgação de Cuties na Netflix (Imagem: Divulgação / Netflix)

Muitas pessoas começaram a dizer que cancelariam suas assinaturas, essas com certeza não entenderam uma palavra sequer do trailer, que mostra o que o longa visa mostrar: A delicada história de uma menina que se divide entre as práticas religiosas adotadas por sua família extremamente rígida, e seus amigos de uma escola francesa liberal, altamente influenciados pela mídia e redes sociais. A diretora contou que ficou chocada com as reações, ao pôster que ela nem tinha conhecimento.

“As coisas aconteceram muito rápido porque, após os atrasos, eu estava totalmente concentrada no lançamento do filme na França. Descobri o pôster junto com o público americano. Minha reação? Foi uma experiência estranha. Eu não tinha visto o pôster até começar a receber todas essas reações nas redes sociais, mensagens diretas das pessoas, ataques contra mim. Eu não entendi o que estava acontecendo. Foi quando fui e vi como era o pôster. Recebi inúmeros ataques à minha personagem principal de pessoas que não tinham visto o filme, que pensaram que eu estava realmente fazendo um filme sobre a hipersexualização de crianças, também recebi inúmeras ameaças de morte”, disparou em entrevista ao site Deadline.

Algumas pessoas como atriz Thessa Thompson ajudaram a mostrar que o filme falava sobre algo interessante, e não sobre aquilo o que pessoas tiraram conclusões antecipadas. A cineasta ficou chateada, claro, e disse que a Netflix se desculpou inúmeras vezes pelo mal-entendido.  “Tivemos várias discussões depois que isso aconteceu. A Netflix pediu desculpas publicamente e também pessoalmente a mim”, disse ela revelando uma ligação do co-CEO da empresa, Ted Sarandos. “Streamers são uma ótima maneira de divulgar minhas histórias e compartilhar minhas mensagens com mais pessoas”, acrescenta ela positivamente, que está preparada para um novo projeto em um serviço de streaming, mas não revelou se é na Netflix ou não. Veja o trailer abaixo: