Diretora de polêmico filme Cuties, revela algo que ninguém sabia sobre a história

Mignonnes - Cuties
Mignonnes – Cuties (Reprodução)

A diretora Maïmouna Doucouré tomou um susto quando seu filme, que nos Estados Unidos foi batizado de Cuties pela Netflix começou a ganhar campanhas online contrárias, a acusando inclusive de promover uma hiper sexualização de crianças.  O filme segue a vida de Amy (uma reviravolta para a brilhante Fathia Youssouf, que venceu outras 700 garotas em audições para garantir o papel), uma jovem muçulmana senegalesa que vive na França e que sonha em se juntar à trupe de dança moderna de suas amigas, uma fantasia que se choca com os valores tradicionais de sua família.

Quando o filme que ganhou o título de melhor filme no Festival de Sundance no início deste ano foi anunciado pela Netflix, a plataforma cometeu um erro de divulgação, colocando um cartaz das protagonistas pré-adolescentes em roupas provocantes. Sem nem saber do que se tratava o filme, as pessoas foram para as redes sociais reclamar e acusar, porém a diretora e também autora do longa disse em entrevista ao Deadline que a história de Amy é sua história, e que ela viveu na pele todos os dilemas da garotinha.

“Eu realmente coloquei meu coração neste filme. Na verdade, é minha história pessoal e também a história de muitas crianças que precisam navegar entre uma cultura ocidental liberal e uma cultura conservadora em casa”, explica Doucouré, que é descendente de senegaleses.

Maïmouna Doucouré
Maïmouna Doucouré, diretora de Cuties (Divulgação)

“Escrevi este filme depois de passar um ano e meio entrevistando meninas pré-adolescentes, tentando entender sua noção do que era feminilidade e como a mídia social estava afetando essa ideia. A principal mensagem do filme é que essas meninas devem ter tempo para serem crianças, para curtir a infância e ter tempo para escolher quem querem ser quando adultas. Você tem uma escolha, você pode navegar entre essas culturas e escolher os elementos de ambas, para se desenvolver em você mesmo, apesar do que a mídia social dita em nossa sociedade”.

Segundo a autora, as redes sociais exercem um papel dúbio na vida dos jovens. “Afeta a todos nós. Tem um lado bom, nos traz informações e belas imagens, e nos permite conhecer mais pessoas, mas tem um lado prejudicial, onde acho que temos uma nova forma de ver o amor. O amor e a autoestima são construídos por meio de curtidas e seguidores. O que acontece é que as meninas veem imagens de mulheres sendo objetificadas, e quanto mais a mulher se torna um objeto, mais seguidores e likes ela tem – elas veem isso como um modelo e tentam imitar essas mulheres, mas não têm idade suficiente para saberem o que estão fazendo”, explicou a cineasta que espera que as mesmas pessoas que a criticaram e ameaçaram entendam que eles estão do mesmo lado.

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