Diretores de cinema do Reino Unido criam diretrizes para filmagens de cenas quentes

Colin Trevorrow, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard nos bastidores de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Imagem: Divulgação)

Diretores de cinema do Reino Unido estão preocupados com as cenas de sexo em seus filmes. A associação dos profissionais de direção do país, que conta com cerca de 7 mil membros, publicou diretrizes para a realização de cenas íntimas enquanto o coronavírus ainda existir. Com o nome de Intimacy in The Time of COVID-19, o manual já sugere que as regras gerais já estejam sendo seguidas, e começa a alertar os profissionais a partir da escrita dos roteiros. No estágio do roteiro, a orientação sugere que o diretor, o roteirista e os produtores revisem as cenas juntos e decidam se o ato íntimo precisa ser mostrado, ou em formato de série, se a intimidade pode ser adiada. “A construção de uma cena íntima às vezes pode ser mais emocionante do que a própria cena. A intimidade emocional pode ser tão envolvente quanto a intimidade física”, diz o guia.

Na fase de preparação, a orientação recomenda programar cenas íntimas para o final da filmagem e presumir que não haverá contato físico entre os artistas e, se o contato for permitido, os artistas devem higienizar suas mãos, pele e roupas com antecedência, com exames de saúde feito mesmo antes das cenas de beijo. “Você pode até encontrar inspiração revisitando filmes clássicos como Aconteceu Naquela Noite (1934) ou Casablanca (1943) – alguns dos maiores romances de cinema já feitos e todos filmados sob o Código Hays , que proibia a representação de sexo na tela”, sugere a orientação. “Considere quais ferramentas as obras clássicas oferecem para contar histórias contemporâneas.”

Outra diretriz recomendada no livreto sugere que os atores devem filmar suas cenas lado a lado ao invés de ficarem frente a frente um com o outro, ou filmados separadamente, e colocados juntos durante a edição, além de reforçar o uso de lentes mais longas para criar uma sensação de maior proximidade mesmo em uma distância considerada segura. Além disso, uma das regras diz respeito à presença de um preparador de cena especializado em cenas de sexo para auxiliar no planejamento, sobretudo nos ensaios. Os espaços físicos precisam ser grandes o suficiente para que os atores pratiquem o distanciamento social.

Durante a filmagem, a orientação sugere que os artistas e coordenadores de intimidade estejam no set apenas quando necessário, as temperaturas sejam medidas e os sets sejam desinfetados regularmente. A orientação também fornece uma série de alternativas narrativas e técnicas para cenas íntimas. As sugestões narrativas incluem o foco nas reações dos personagens; peça aos personagens que digam o que farão a cada um, em vez de retratar a cena; chamadas de vídeo, sexo por telefone ou sexting; personagens mostrados se vestindo após o ato para indicar o que já aconteceu, ao invés de mostrar o sexo propriamente; ou membros movendo-se sob a roupa de cama; fechar a porta de um quarto e deixar a ação para a imaginação do espectador; e alternativas metafóricas, como objetos, silhuetas e sombras, danças, etc. Outras sugestões curiosas do material dizem que é possível usar telas pretas, ou divididas para sugerir o sexo, narração ou imagens de arquivo, animação ou captura de movimentos por meio de performances digitais.

As diretrizes foram compiladas em consulta com os membros do conselho dos Diretores do Reino Unido, Bill Anderson e Susanna White. “Os diretores têm um papel fundamental a desempenhar para garantir que a indústria do cinema e da TV reinicie da forma mais segura possível”, disse Anderson. “Agora, mais do que nunca, precisamos encantar o público ávido pela intimidade da conexão e contribuir para uma cultura criativa que se provou tão valiosa para todos nós durante esta pandemia. Sempre usamos nosso ofício para transmitir histórias íntimas e relacionamentos na tela e, agora, devemos fazer isso com mais criatividade do que nunca”, disse White.