Mudou tudo em Doctor Who.

Um novo showrunner (Chris Chibnall), um novo dia de exibição (domingos), novo logo, novos companions (três) e uma nova Doctor: Jodie Whittaker, a primeira mulher a interpretar o personagem.

Não dava para imaginar o que estava por vir. Cada mudança de Doctor representa mudanças de personalidade e nas histórias a serem contadas. E tantas mudanças geram dúvidas nos fãs mais conservadores. É compreensível.

Mas não aceitável para tantas críticas prévias.

 

 

A boa audiência da estreia da nova temporada no BBC One (mais de 8 milhões de espectadores) indicavam a curiosidade dos fãs sobre o que estava por vir. E o episódio de retorno foi algo notável.

Era uma tarefa complicada apresentar a nova Doctor e seus companheiros de viagem. Era preciso uma certa dose de superexposição. Mas tudo foi feito de forma tão equilibrada e com bom gosto, que já dava para sentir que viria coisa boa com o título do episódio: The Woman Who Fell to Earth (em homenagem à canção de David Bowie, The Man Who Sold The World).

O debut escrito por Chris Chibnall é bom, apresentando uma nova proposta, com um pouco mais de intriga e um certo ar de mistério. Sem entrar em detalhes, as narrativas em paralelo funcionam, e ajudam a prender o espectador para descobrir o que está por vir a seguir.

Jodie Whittaker já se posiciona para ser uma grande Doctor. Leva um tempo para ela definir a sua versão do personagem, mas isso acontece a partir da segunda meia hora do episódio. Mas os fãs já estão acostumados a isso, e sua interpretação nesse aspecto é excelente.

O episódio pode calar a boca de muitos céticos, e veio como uma declaração clada da BBC em reforçar o discurso de empoderamento feminino, algo que incomoda alguns setores muito conservadores.

 

 

Os companions também foram bem apresentados, mas ainda resta dúvidas sobre como será a dinâmica entre os quatro, e como cada personagem vai se desenvolver de forma isolada.

Historicamente, Doctor Who sempre se preocupou em envolver a audiência com os seus personagens. Com o tempo, isso deve acontecer, mas ainda falta uma certa emotividade por parte dos companheiros de jornada da Doctor.

Mas, atenção: emotividade é diferente que emoção.

A estreia da temporada 11 de Doctor Who deu uma boa mostra do que é a série agora. Um ponto de entrada para convencer os fãs, os céticos e até os não fãs. Vamos ver o que vai acontecer daqui para frente.

Fãs de Doctor Who, podem ficar empolgados a partir de agora.