E O Vento Levou volta para a HBO Max com explicação preliminar

E o Vento Levou (Imagem: Reprodução)

Após a controvérsia remoção E O Vento Levou, clássico de 1939, estrelado por Vivien Leigh e Clark Gable, voltou a ser disponibilizado no HBO Max, serviço de streaming da rede norte-americana. A empresa justificou a retirada alegando que obra demonstra conteúdo racista. Para seu retorno ao catálogo a HBO adicionou uma nova introdução ao filme.

Nela, a acadêmica Jacqueline Stewart expõe as contradições do filme acerca da escravidão e dos negros no sul dos Estados Unidos. Oitenta anos após o seu lançamento original, ‘E O Vento Levou’ possui um significado cultural inegável. Não apenas é uma prova das práticas racistas do passado de Hollywood, mas também uma obra resistente de cultura popular que fala diretamente sobre as desigualdades raciais que permanecem na mídia e na sociedade até hoje.

Stewart lembra ao público que a película faz um retrato ingênuo da história por mostrar um mundo de graciosidade e beleza, sem reconhecer as brutalidades do sistema escravista em que o mundo de hoje é baseado. Além disso, dois vídeos que discutem o legado da obra, e a história de Hattie McDaniel (Mammy) que, por seu papel se tornou a primeira mulher negra a vencer o Oscar, agora acompanham o filme. 

E o Vento Levou foi retirado do catálogo da plataforma de streaming HBO Max após a repercussão dos protestos contra o racismo que tomaram conta dos Estados Unidos e também de outras partes do mundo. O serviço considerou a produção como racialmente insensível à luz dos protestos antirracistas, e por isso decidiu pela sua retirada.

A chefe de conteúdo da HBO Max, Sandra Dewey, comentou sobre a polêmica durante o painel virtual do Festival Mundial de Mídia de Banff. “Estamos sendo lentos e cuidadosos, e acho que esta é a resposta certa. O filme vai ser reapresentado, mas com contexto. Ninguém quer perder estes conteúdos — e há muitos deles — que podem ser descritos, corretamente, como racialmente insensíveis. No entanto, sentimos que precisamos de uma nova moldura para eles no discurso dos dias de hoje”,  justificou à revista Variety.

“Nós, como empresa, sentimos um senso de responsabilidade grande neste sentido. Precisamos abordar [o racismo] de frente, e tentar entendê-lo mais profundamente e melhor, para termos certeza de que estamos contando as histórias que precisamos. Este é o trabalho que somos chamados a fazer [neste movimento]”, completou.