E Ryan Murphy foi boicotado por causa de um simples devaneio em uma entrevista

Nem Titia Ryan Murphy escapa da lógica. Se um conceito pode dar errado, é melhor abandoná-lo antes de executá-lo. Temas controversos com focos muito diferentes podem causar problemas na televisão, apesar de ser algo bem difícil julgar um projeto a partir de uma mera linha conceitual de argumento.

Mas foi exatamente isso o que aconteceu com Ryan Murphy em Consent.

A série estava baseada no movimento #MeToo, que denuncia os abusos de poder dos homens da indústria. Murphy queria um novo American Crime Story, mas nos moldes de Black Mirror, onde cada episódio exploraria uma história diferente, ambientadas nos cenários onde os crimes aconteceram, como por exemplo os escritórios da Weinstein ou os sets frequentados por Kevin Spacey.

Isso foi o suficiente para levantar as dúvidas na internet. Foram muitas reclamações em duas frentes: por um lado, o foco de Murphy, mais escabroso. Muita gente não aceita o fato do produtor querer contar histórias assim quando ele usa e abusa da violência sexual para impactar a audiência.

Isso faz sentido. A atitude lembra a reação depois do anúncio da futura série da HBO Confederate, que foi boicotada quando o seu argumento se tornou público: uma história alternativa dos EUA onde o sul vence a Guerra Civil.

Isso bastou para gerar a hashtag #NoConfederate.

Porém, há diferenças.

Confederate estava aprovada pela HBO, com um argumento muito problemático e com os riscos de um material controverso.

Já no caso de Murphy, há outro inconveniente: ele é um homem branco (mesmo sem ser hétero) tratando de um tema que não o afeta diretamente.

Esse segundo ponto pode ser rebatido com o longo histórico de Murphy em contar com time técnico e artístico com ênfase na diversidade. E era certo que essa história não seria contada a partir da perspectiva de um homem, pois essa não é a sua forma de trabalhar.

Sua referência à Black Mirror reforça a teoria que a estrutura narrativa contaria com um roteirista e um diretor diferente em cada episódio, aplicando nesse aspecto a diversidade.

As reações nesse casto nos custam a crer em como uma mera divagação de Ryan Murphy durante uma entrevista poderia causar tanto barulho. Por mais que os motivos dos protestos sejam justos, e especialmente conhecendo o envolvimento de Murphy com determinadas causas, é provável que, dessa vez, o freio foi acionado antes mesmo que qualquer pessoa tenha pensado em colocar o pé no acelerador.

 

Via The New Yorker

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