Em Além da Ilusão, Michel Blois fala de polêmica sobre beijo gay na TV

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No ar com o personagem Leopoldo em Além da Ilusão, um homossexual, radialista nos anos 40, o ator Michel Blois têm grandes semelhanças com o seu papel na atual trama das 18h da Globo.

Em conversa exclusiva ao Entretê, ele desabafou sobre a carreira, a repercussão da novela e o carinho das pessoas com o papel. Além disso, ele destacou o seu amor pela arte.

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Confira a entrevista:

Entretê- O que você tem em comum com o seu personagem em Além da Ilusão?

Minha vida é movida pelo trabalho e pelo amor assim como a do Leopoldo. Tenho bons amigos, conselheiros iguais a Arminda e estou sempre disposto a dar uma segunda chance às pessoas, não desisto fácil das relações, tal como Leopoldo com o seu pai Francisco. 

Entretê- O que tem achado da repercussão da trama e do seu personagem?

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A melhor repercussão possível, vejo que as pessoas torcem por ele, pela felicidade dele. Leopoldo virou um personagem que muitas pessoas queriam colocar no colo e confortar. Recebo muito amor nas redes sociais. E dentro da novela também, a equipe técnica, a direção e o elenco vibram junto comigo. 

Entretê-  Estar na TV era um sonho antigo?

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Era mais que um sonho, eu sempre tive certeza que iria fazer TV, só não sabia quando. Eu trabalhei incansavelmente desde que decidi vir morar no Rio e viver de arte, foram muitas peças no teatro, estudei muito, ralei muito, tive muitos “quase” em novelas e séries, e agora faço minha estreia na TV em “Além da Ilusão”. Estou bem feliz e realizado. 

Entretê- Você tem vontade de novos personagens na TV. Se sim, quais?

Quero fazer de um tudo, tal qual fiz no teatro, me encanto por bons personagens, com conflitos internos e externos, que tenham trajetória própria, gosto de desafios. Tendo boas histórias posso estar no núcleo de humor ou sendo vilão ou mocinho ou tudo junto, assim como na vida. Tenho um pouco de tudo dentro de mim. 

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Entretê – Acredita que antigamente o preconceito com personagens LGBTs era ainda maior?

Eu acho que a grande mudança dos personagens gays antigamente e os de agora é que atualmente é possível ver outras camadas nestes personagens. Antes a maioria dos gays era tido como excêntrico, cômico e estereotipado, já hoje tem-se personagens mais complexos. Embora o conflito do personagem gay ainda seja sua opção sexual. O tema precisa ser ampliado e ser gay tornar-se só uma característica do personagem assim como os personagens héteros.

Entretê- Como surgiu o seu amor pela arte?

Minha mãe trabalhava na escola de Belas Artes da minha cidade, lugar que frequentei muito. E eu sempre gostei de ler, de escutar música, dançar, escrever e também contar histórias. Eu era uma criança lúdica. Agora a arte virar meu ofício foi uma construção, eu estudei muito, frequente muita biblioteca, cinema, teatro, sarau, escutei muita rádio, vi muita televisão, sempre gostei de ver tudo o que podia e me cercar das melhores discussões e parcerias de trabalho para aprender cada vez mais. 

Personagem e beijo gay na TV

Entretê- Como foi a preparação para o personagem?

Tive alguns encontros com o Luiz Henrique Rios (diretor artístico) e com a Maria Beta Perez (preparadora de elenco) para trilharmos juntos os caminhos do personagem e depois, mais específico para a rádio, tive algumas “aulas” com a Leila Mendes (fonoaudióloga). Foi tudo muito rápido e objetivo, a novela já estava a todo vapor, eu entrei no meio, então cada dia era valioso para a construção do Leopoldo. Trabalhamos com uma polarização de forças, o que ele era internamente e como ele agia socialmente, que eram opostos/antagônicos. E isso foi muito rico, trouxe muitas camadas de relação, Leopoldo agia diferente com cada um dos personagens que cruzaram o caminho dele. 

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Entretê- Na sua opinião, o beijo gay assusta homofóbicos por qual motivo?

As religiões cristãs passaram muito tempo afirmando que isto era errado, que era pecado, o que embasou boa parte do discurso homofóbico. Moramos num país laico, porém com sua maioria adepta a estas religiões. E como resultado temos muitas pessoas que não querem ver gays para não terem que se relacionar com isto, para não terem que emitir uma opinião. Alguém LGBTQIA+ bagunça com a normatividade da vida dos homofóbicos, coloca em cheque as escolhas que fizeram até aqui, traz à tona a mediocridade de suas mentes, porque não querem reconhecer a felicidade alheia. Há também os homofóbicos que sentem ojeriza, sem qualquer relação religiosa, apenas machismo e patriarcado. Infelizmente, puro discurso de ódio. Mas ambos são pensamentos criminosos. Eles não têm o direito de ceifar a liberdade de uma comunidade inteira.  

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