Globo peita Bolsonaro e defende Gentili no Jornal Nacional

A Globo se negou a retirar do Globoplay e do Telecine Play o filme Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola, de Danilo Gentili. Além disso, a emissora saiu em defesa do longa no Jornal Nacional e expôs contradição do governo de Jair Bolsonaro.

No último fim de semana, bolsonaristas acusaram o filme de fazer apologia à pedofilia. O Ministério da Justiça, então, determinou que a produção fosse retirada de todas as plataformas. Atualmente, Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola está disponível na Netflix, Globoplay, Telecine Play, Amazon Prime Video, Apple TV+ e Youtube.

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Governo censura filme

“Por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, determinou-se cautelarmente que as plataformas que possuam o filme Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola em seu portfólio suspendam sua exibição imediatamente. O não cumprimento resulta em multa diária de R$ 50 mil, anunciou o ministério do governo Bolsonaro.

Globo peita Bolsonaro

A Globo, no entanto, se recusou a cumprir a ordem. Em nota divulgada nesta terça-feira (15), argumentou que a decisão do Ministério da Justiça é censura e fere a Constituição Federal.

“O Globoplay e o Telecine estão atentos às críticas de indivíduos e famílias que consideraram inadequados ou de mau gosto trechos do filme Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola, mas entendem que a decisão administrativa do Ministério da Justiça de mandar suspender a sua disponibilização é censura. A decisão ofende o princípio da liberdade de expressão, é inconstitucional e, portanto, não pode ser cumprida, disse a Globo em nota.

“As plataformas respeitam todos os pontos de vista, mas destacam que o consumo de conteúdo em um serviço de streaming é, sobretudo, uma decisão do assinante – e cabe a cada família decidir o que deve ou não assistir, pontuou.

“O filme em questão foi classificado, em 2017, como apropriado para adultos e adolescentes a partir de 14 anos pelo mesmo Ministério da Justiça que hoje manda suspender a veiculação da obra”, explicou.

Jornal Nacional expõe contradição

No Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos expuseram a contradição de integrantes do governo Bolsonaro. O deputado Marco Feliciano, por exemplo, havia elogiado o filme de Gentili em 2017. Agora, ele apagou a postagem e disse não se lembrar da cena.

Em vídeo enviado ao JN, Fábio Porchat se manifestou. O ator e humorista, que integra o elenco do longa, explicou que não há incentivo.

“Eu interpreto um vilão. É um personagem mau, que faz coisas horríveis. Um vilão pode ser racista, nazista, machista, pedófilo, matar ou torturar pessoas. Quando isso aparece em um filme, não quer dizer que estamos fazendo apologia, salientou Porchat.

“Não é um incentivo ao que o vilão está praticando, mas sim um mundo perverso sendo revelado ao público. Existem momentos em que é duro assistir. Quanto mais bárbaro o ato, mais repugnante é”, afirmou ele.

Bonner ainda lembrou que a decisão do governo é inconstitucional. “Segundo juristas ouvidos pelo Jornal Nacional, a ordem do Ministério da Justiça fere a Constituição. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, explicou.

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Vitor Peccoli
Publicitário, roteirista formado pela Casa Aguinaldo Silva de Artes. Escreve sobre TV e famosos desde 2013 | Contato: redacao@spinoff.com.br
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