Glória Perez confessa emoção com O Clone e relata experiência

A autora Glória Perez, que está fora do ar na Globo desde o fim da reprise de A Força do Querer, em março deste ano, comemorou a reprise de O Clone. A trama que marcou época nos anos 2000 está de volta a partir do dia 04 de outubro no Vale a Pena Ver de Novo.

Aos 72 anos, a novelista não escondeu a sensação de felicidade que sentiu ao saber que a trama voltaria ao ar. O Clone será reexibida nas tardes da Globo 20 anos após sua exibição original.

Alegria, muita alegria de revisitar esse universo. E acho que esse é um dos motivos que levam o público a gostar tanto de rever novelas. Durante um tempo das nossas vidas convivemos com os dramas daqueles personagens, eles se tornam íntimos de nós. Revê-los é revisitar também um tempo do nosso passado. ‘O Clone’ foi um trabalho maravilhoso de fazer, era uma equipe tão unida, tão apaixonada. Isso transparece na tela, declarou ela.

Experiência para construir a história

Glória relembrou o processo de pesquisa que fez para escrever o folhetim. Ela contou como foi a experiência de se aprofundar nos temas relacionados à cultura muçulmana e sobre o tema da clonagem humana.

Fiquei vinte dias no Egito e também cerca de vinte [dias] no Marrocos, convivendo com pessoas típicas do local. Era isso o que eu queria buscar: o muçulmano médio”, revelou.

“Fiz amizade com o guia que nos acompanhou na viagem e convivi muito com a família dele, com os amigos dele, de modo a poder observar os costumes, as maneiras, a forma como viam a si próprios e como nos viam também. Por outro lado, estive em diálogo constante com o sheik Jihad, que me presenteou com um Alcorão. Li o Alcorão e dali retirei os ensinamentos do progressista tio Ali [Stênio Garcia] e do fundamentalista tio Abdul [Sebastião Vasconcellos]. Tivemos sempre o maior cuidado para não ferir suscetibilidades religiosas, relatou.

A união de histórias em O Clone

Glória Perez explicou o que a motivou a unir assuntos como a cultura muçulmana e clonagem humana numa mesma história.

O ponto de partida foi a ovelhinha Dolly. Se era possível clonar uma ovelha, não seria possível clonar um ser humano? Quis falar dos conflitos de identidade inerentes a uma experiência assim. Como se sentiria uma pessoa feita em laboratório como cópia de outra?”, contou.

“Quis falar dos limites éticos da ciência, e para isso resgatei duas personagens icônicas de ‘Barriga de Aluguel’: o humanista Dr. Molina [Mário Lago] e a transgressora Miss Brown [Beatriz Segall]. Para se contrapor a esse ocidente que desafiava Deus criando a vida, fui buscar uma sociedade inteiramente submetida a Deus: os muçulmanos. Por isso eles entraram na trama, completou ela.

Questionada sobre como acha que O Clone será recebida pelo público atualmente diante das mudanças na sociedade, a novelista acredita que “tocar no humano” torna a obra atemporal.

“O ser humano é essencialmente o mesmo, desde que o mundo é mundo. Seus instintos básicos estão ali. Cada época valoriza algumas dessas características e reprime outras, mas a essência não muda. É nisso que eu foco. Acredito que quando você consegue tocar o humano, as histórias se tornam atemporais. Podem ser compreendidas em qualquer época e por culturas muito diferentes”, disse.

A emoção de Glória Perez

O Clone, sem dúvida, é um dos maiores sucessos da carreira de Glória. A autora confessou que se emocionou com a forma que o tema das drogas abordado na trama repercutiu.

“Representa muito. Escrever é uma maneira de buscar compreender o universo que você retrata. De ampliar sua visão de mundo. ‘O Clone’ me deu isso, destacou a autora da Globo.

E me encheu de emoção pelas vidas que foi capaz de tocar, fazendo com que tantos dependentes químicos buscassem tratamento por vontade própria, que suas famílias compreendessem o que se passava com eles, e que muitas pessoas, impressionadas com a crueza com que a história foi contada, tenham desistido de experimentar a droga”, declarou Glória Perez.

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Vitor Peccoli
Publicitário formado pela Faculdade Pitágoras e roteirista pela Casa Aguinaldo Silva de Artes. Atua no jornalismo de TV e famosos desde 2013.
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