Murilo Benício revela que não gosta de se ver na TV e explica

Interpretando três personagens em O Clone, Murilo Benício se disse feliz com a volta da novela que lhe colocou “em outro lugar como ator”. Com a reexibição na Globo vinte anos depois, ele comemora e considera a trama como um marco na TV.

“Eu acho maravilhoso porque ‘O Clone’ é um marco da televisão brasileira, um marco da Globo. Era uma época minha de começo de carreira e eu fico muito feliz com essa reexibição”, diz ele, que fala sobre a construção dos gêmeos Lucas e Diogo – além de Léo, o clone.

Eu lembro que foi difícil porque o Lucas era um personagem apagado – era para ser assim – e o Léo demorava para entrar na trama, então eu passei um tempo só fazendo o Lucas, que era um cara mais introspectivo.

Era para ser assim porque o Diogo tinha que ser aquele cara solar que morreria num acidente e, por conta dessa perda, acendia no Albieri [Juca de Oliveira], que era um cientista, a vontade de trazer o afilhado de volta, de tão querido que ele era. A personalidade do Lucas fez com que ficasse mais pesado o fardo de ele ter sido o filho que ficou”, afirma.

Outro patamar

Um dos trabalhos mais marcantes da carreira de Murilo Benício, O Clone é considerada pelo ator como a novela que o fez “assumir outro lugar” na carreira.

É difícil a gente se enxergar dessa forma. Eu acho que a novela foi marcante. Todos os atores ficaram muito lembrados. Mas foi definitivamente uma novela importantíssima para eu assumir um outro lugar como ator, declara.

Questionado se a sintonia com Giovanna Antonelli contribuiu para o sucesso do folhetim, ele diz que sim. “Sem dúvida. A história era muito centrada no amor deles e quando o Léo entrou virou quase um triângulo amoroso. Nossa química funcionou e isso foi muito importante para a novela, pontua.

O sucesso de O Clone no exterior

A trama escrita por Glória Perez fez sucesso internacional e ganhou o mundo com a exibição em muitos países. Por causa da produção, o ator conta que é reconhecido em vários lugares fora do Brasil.

“Eu sou muito querido em Portugal. Nunca fui para a Rússia, onde a novela foi um fenômeno, mas já encontrei russos que parecem que são mais fãs do que os próprios portugueses. Na África também senti a repercussão quando eu fui com os meus filhos fazer um safari. Tem muita língua portuguesa na África, então eles assistem muito nossas novelas”, relata.

“O público é sempre muito caloroso e isso é tão legal. É impressionante o quanto as pessoas de todo lugar do mundo nos veem, o alcance que temos. Isso sempre volta num tom de muito amor e carinho das pessoas. Principalmente em Portugal, para onde eu vou mais, eu sinto isso”, completa ele.

Murilo Benício se recusa a avaliação

Murilo revela que não costuma se avaliar olhando trabalhos antigos e diz que não curte ver seus personagens.

“Eu sou muito autocrítico com trabalho novo, não antigo. Parece que é ver outra pessoa quando eu assisto a um trabalho muito antigo meu. Então, dói menos. Mas eu não sou daqueles que curtem ver, não. Eu acho incrível as pessoas que acabam uma cena e correm para o monitor para ver como foi, para entender como podem melhorar. Eu fico meio sem graça com essa minha luta contra me ver, mas tenho certeza de que existem outros atores iguais a mim”, diz.

O ator, que viajou ao Marrocos para gravações de O Clone, confessa que guarda alguns objetos da época.

Comprei uns chaveiros e até hoje eu encontro uns desses em casa. Comprei também uns panos que estão na minha fazenda. Trouxe muita coisa de lá e eu tenho muita recordação também. Imagina essa turma toda fazendo a novela no Marrocos, como a gente não se divertiu? Foi uma delícia, o elenco era uma delícia, todo mundo era legal. Enfim, só recordação boa”, conta.

Vitor Peccoli
Publicitário, roteirista formado pela Casa Aguinaldo Silva de Artes. Escreve sobre TV e famosos desde 2013 | Contato: [email protected]
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