Estrela da série Special da Netflix revela que se frustrou com cenas picantes

Special
Ryan O’Connel em cena de Special (Reprodução)



Ryan O’Connel
não é apenas o rosto, mas também a mente por trás de Special, série da Netflix sobre um rapaz gay com paralisia cerebral que decide se arriscar em atividades cotidianas como trabalhar em uma grande empresa e conseguir um relacionamento. Para criar o programa, ele adaptou seu livro de memórias, e conversou com o site The Hollywood Reporter sobre uma cena de sexo anal presente na primeira temporada. A segunda, estava em produção ao ser interrompida pela pandemia.

Cenas de sexo gay são raramente retratadas de forma real, com algumas investidas romantizadas pela TV como American Gods, Watchmen, Looking, e Queer As Folk. Durante a entrevista, feita com personalidades no mês do orgulho LGBT, ele explicou que era preciso fazer isso na tela da forma mais honesta possível.

“Não é para me gabar, mas eu tinha um namorado quando tinha apenas 17 anos. Dissemos que esperaríamos para fazer sexo até que estivéssemos realmente apaixonados, o que na adolescência gay leva mais ou menos duas semanas e meia. Na primeira ou na segunda vez que tentamos [fazer sexo], doeu tanto que pensei que devíamos estar fazendo errado. Ele entrou dentro de mim e parecia que eu estava no dentista. Me senti confuso. Eu pensei que era algo ligado à minha deficiência, como se fosse um dos sintomas da paralisia cerebral sobre o qual ninguém falava”, disse.

“Anos depois, enquanto escrevia o Special, olhei para trás e lembrei-me de que havia pouca informação. Eu gostaria que houvesse algo verdadeiro para mostrar o sexo anal pelo que é. Pode ser doloroso, agradável, estranho, sexy e, e muitas vezes não sexy”, continuou Ryan.

“As únicas cenas de sexo anal que eu lembro de assistir foram no Queer as Folk, um programa que foi muito cheio de vapor! Era uma espécie de vibração pornô e não parecia realista. Mostrar com precisão significa que é um pouco desconfortável. Mesmo nas cenas de sexo em filmes como Brokeback Moutain, sempre há um tipo de corrente de vergonha ou proibição. Eu estava louco para ver Me Chame Pelo Seu Nome, os gays ficaram loucos, eu me senti enganado. Quando os personagens principais fizeram sexo, pensei ‘isso é importante’, e a câmera se virou para a lua. Ele tinha feito sexo com uma garota, mas ainda não podíamos lidar com Armie Hammer e Timothée Chalamet fodendo? Se fosse hétero, isso nunca teria acontecido”.

Ele disse que aquilo ficou em sua cabeça, então ele resolveu escrever o roteiro de Special detalhando o máximo possível as cenas de sexo, acreditando que elas teriam uma chance mínima de se tornarem reais, e que ficou apreensivo quando a Netflix aprovou o projeto. “Ali eu estava sendo ator pela primeira vez na vida. Quando assisto à cena, sinto como se estivesse assistindo a um documentário. Os nervos e a confusão são genuínos. É a cena da qual mais me orgulho na primeira temporada. Eu fiz uma cena de sexo anal que eu queria que existisse, e eu sabia que não estava sozinho nisso”.

Comentários