“Eu, a Vó e a Boi”: Miguel Falabella conta que é o seu trabalho mais “doido”

História de Eduardo Hanzo inspiraram Glória Perez e Miguel Falabella para criar a série Eu, a Avó e a Boi (Imagem: Victor Pollak/Globo)

Vai ter muito humor, mas também vai ter dedo na ferida. Com base em uma ideia original de Eduardo Hanzo, a nova série da Globoplay, criada e escrita por Miguel Falabella, ao lado de Ana Quintana e Flávio Marinho, Eu, a Vó e a Boi, vai contar a história de inimizade de mais de 60 anos entre duas vizinhas.

Arlete Salles e Vera Holtz dão vida às viúvas aposentadas Turandot e Yolanda, respectivamente, que são inimigas declaradas e dispõem de muito tempo para gastar com farpas e ataques engraçados. A paz está longe de chegar. E essa trama tem estreia marcada para a próxima sexta-feira, dia 29 de novembro.

Em entrevista concedida para o site Observatório da Televisão, Miguel Falabella falou sobre o que podemos esperar da história. “Embora seja uma série de humor, com tipos muito inusitados, ela também coloca o dedo na ferida. Hoje temos um país sentido, dividido. O discurso é sempre da truculência. E isso é o que a avó e a Boi fazem nessa história. Elas não argumentam, elas agem uma contra a outra. São situações engraçadas, mas por trás desse humor as coisas são ditas”, conta o autor.

Ele ainda conta que a trama, baseada na história de Eduardo Hanzo, foi recebida em um momento oportuno. “Eu não tenho Twitter, mas a Gloria Perez viu essa sequência e me mostrou. Nós conversamos muito e ela foi muito importante no meu processo de escrita. Tive dela uma mão segura, carinhosa e afetuosa que foi fundamental. Essa história chegou para mim exatamente no momento em que o país estava mais polarizado e com o ódio muito cultivado. Então eu liguei as duas coisas e fiz uma série que tem muito ódio e o rancor. Para essa narrativa, parti de uma notícia que li de que 75% dos jovens de hoje não tem qualquer esperança no país. Da história principal de Eduardo, transformei a vizinha em avó. As duas senhoras do conflito são as avós materna e paterna do narrador”, revela.

Sobre a importância e representação da nova série para sua carreira, Miguel Falabella conta: “Talvez, de tudo que eu tenha escrito – e eu tenho muito orgulho das coisas que já fiz -, esse seja o meu trabalho mais arrojado, mais contemporâneo. E também o mais doido, mais fora da caixinha.”

Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), apaixonada por literatura, cartas e pela magia do cinema. Escritora de histórias e trajetos dos amores.

bostancı escort