Gabrielle Union comenta processo e revela que presidente de emissora a descredibilizou

Gabrielle Union (Reprodução)

A atriz Gabrielle Union causou polêmica há alguns meses após sua conturbada saída da bancada do reality show America’s Got Talent. Nesta terça-feira, 16 de junho, a atriz concedeu uma entrevista online para o programa The Daily [Social Distancing] Show, e falou sobre a indústria de Hollywood, que precisa passar a responsabilizar pessoas por seus atos para que uma verdadeira mudança aconteça.

Segundo a atriz, sobretudo neste momento, que os Estados Unidos vivem uma onda crescente de luta contra o racismo sistêmico, é necessário que haja uma reflexão sobre as práticas problemáticas que envolvem as relações de trabalho, e incluindo nisso pessoas problemáticas.

Ela começou falando sobre ser uma mulher negra nos Estados Unidos: “É um constante ataque de ansiedade. Aliás, não sei se ansiedade é a palavra correta. Mas parece um terror com meu corpo. Você tenta descobrir a melhor maneira de lidar e depois uma maneira de ajudar”.

Union abriu processo contra a emissora NBC depois de sofrer racismo nos bastidores do programa, e ainda lidar com piadas desagradáveis, algo que ela chegou a levar até a direção da emissora, que disse ter aberto investigação interna e não encontrado nada. Ela relatou que encontrou Simon Cowell fumando em ambiente interno, algo que nunca havia acontecido em outros programas que ela participou.

“Quando seu chefe, a pessoa que tem capacidade de determinar quem obtém oportunidades, acredita que a lei não se aplica a ele, e faz à vista da NBC, Fremantle e Syco, e ninguém se importa que ele exponha os funcionários à sua fumaça – esse foi o primeiro dia – que mensagem você acha que envia a qualquer um que tenha um problema com o racismo real e a falta de responsabilidade?”, questionou.

Sobre a tal investigação interna, a atriz acredita que tudo não passa de uma farsa: “Quando a NBC, a Fremantle e Syco pagam pela investigação, eles a controlam. Ninguém está pedindo nada de especial, apenas para tratarem as pessoas de maneira justa. Precisa existir consequências para quando as coisas acontecem”, disse atriz que afirmou que o presidente da empresa, Paul Telegdy a ameaçou e a descredibilizou. “Algumas pessoas acreditam que a única maneira de liderar é centralizar tudo, e que só seus argumentos são válidos. O que aprendi no processo é que é melhor sair do caminho, e abrir espaço para outras pessoas, afinal não dá para colocar um band-aid em um tiro”.