Hilary Swank diz que não seria melhor escolha para representar papel que a fez ganhar Oscar

Hilary Swank em Meninos Não Choram
Hilary Swank em Meninos Não Choram (Reprodução)

Meninos Não Choram, filme de 1999 marcou a iniciativa do cinema de Hollywood de representar um pouco da comunidade trans na tela ao contar a história de Brandon Teena, vítima de um crime de ódio em 1993 em Nebraska, abrindo as portas para que personagens LGBTQIA+ não ficassem restritos a um tipo de filme que geralmente passava longe do mainstream. Na ocasião a atriz Hilary Swank interpretou o personagem título e chegou a ganhar um Oscar por isso, a transformando em uma queridinha da indústria do cinema. Recentemente em uma entrevista para a revista Varitey, ela foi questionada sobre o assunto, inclusive se aceitaria o papel sendo ela uma mulher cisgênero, já que essa discussão acontece muito mais atualmente do que costumava acontecer há duas décadas.

“Naquela época, pessoas trans não estavam realmente andando pelo mundo dizendo, ‘Ei, eu sou trans’. Vinte e um anos depois, não apenas as pessoas trans estão vivendo e vivendo, felizmente, [embora] ainda tenhamos um longo caminho a percorrer em sua segurança e inclusão, mas agora temos um monte de atores trans que obviamente seriam muito mais adequados para o papel e seria melhor eles terem a oportunidade de realmente fazerem um teste para o papel”, explicou ela.

Um caminho para essas oportunidades são os novos padrões de inclusão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que oferece uma rubrica revisada para elegibilidade para Melhor Filme, que entrará em vigor em 2024, para incluir diversos talentos na frente e atrás das câmeras. Enquanto alguns dizem que os novos padrões nivelam o campo de jogo para vozes sub-representadas, outros dizem que eles interferem na expressão criativa. Para Swank, é um passo na direção certa.

“Para criar mudanças e realmente fazer as pessoas contarem histórias que representem o mundo em que vivemos – que é um mundo colorido cheio de todos os tipos de pessoas – regras como essa precisam ser definidas”, disse Swank. “Há tantas histórias em meus 29 anos neste negócio que foram contadas do ponto de vista de um homem hetero e branco, e isso presta um grande desserviço às pessoas que estão vivendo no mundo porque elas não entendem para se ver representado na tela de uma forma que os faça se sentir vistos e ouvidos”, continuou a estrela que atualmente se dedica a divulgar sua série na Netflix, Away.