James Mangold conta como dobrou Fox e emplacou filme de herói com classificação adulta

Logan, filme de 2017 (Reprodução)

Ver um filme de super-herói ganhar uma classificação indicativa alta nos cinemas até alguns anos atrás era algo impossível, mas isso tem mudado pouco a pouco. Sucessos como Deadpool, e mais recentemente Coringa, que chegou a conquistar a incrível marca de 1 bilhão de dólares em bilheteria num filme voltado para maiores de 18 anos, tem mudado a mentalidade de que histórias em quadrinhos precisem atender a um público amplo.

James  Mangold, diretor de Logan, conversou com o site americano ComicBook.com, e explicou que quando pediu à Fox para seu filme ser voltado para adultos, visou sobretudo sua liberdade criativa, mas contou com um método em particular para convencer o estúdio: aquilo o que afetava a parte financeira.

“O processo para convencer os executivos é dizendo que vai custar menos. Eles tentam te dizer que classificado como para maiores de 18 anos, o filme lucrará de 30% a 40% menos do que poderia, mas eu apostei, e meu argumento ganhou combustível com o sucesso de Deadpool. A minha sensação era que todos os estúdios queriam fazer adaptações de quadrinhos que não ficassem obsoletas criativamente. E mesmo com todo o conservadorismo que existem em algumas empresas, no fundo elas sabiam que aquilo não estava mais funcionando”, disse ele em relação aos filmes de heróis com classificação livre.

“Os gráficos econômicos mostravam, que mesmo sem isso, os filmes não estavam mais funcionando tão bem como antes”, disse o diretor que chegou a dizer que desenhos animados mesmo envelopados para crianças possuem conteúdos adultos que só os adultos percebem ao assistir.

“Parte do que me atraiu quando jovem era que eles não eram infantis [os quadrinhos]. Eles ressoavam com temas de romance, sexualidade, vingança, tristeza, infância assombrada, dano psicológico… Todas essas ideias eram realmente interessantes. […] Havia coisas que estavam acontecendo que não estavam na televisão infantil ou em nossos desenhos animados. Havia algum atrevido acontecendo, da mesma forma que, mesmo quando você assiste a um desenho animado do Pernalonga agora, você percebe… A razão pela qual eu os amo tanto é que havia algo atrevido naqueles”, concluiu.