Jodie Foster incomodada com o grande parque de diversões que virou o cinema (na opinião dela)

A criatividade está morta e enterrada no mundo do entretenimento. Eu estou dizendo isso aqui no SpinOff há pelo menos três anos. Remakes, reboots e adaptações mostram claramente que vivemos uma crise sem precedentes de novas histórias, e todos (inclusive a própria indústria do entretenimento) perdem com isso.

No caso do cinema, o problema se agrava quando o mais do mesmo gira em torno dos blockbusters. Muitos deles são recompilados de megahits nas bilheterias, onde pouco importa se o resultado final é bom ou não: para os estúdios, o que importa é ver as salas de cinema lotadas, e nada mais.

Isso é prejudicial em várias esferas. Não apenas a falência criativa, mas principalmente o desenvolvimento de senso crítico em boa parte da audiência. As novas gerações acham os blockbusters atuais ótimos filmes, mas em muitos casos as histórias passam bem longe de entregar a qualidade de serem críveis e bem contadas. E começamos a ver uma nova geração de cinéfilos que endeusam Michael Bay sem qualquer motivo coerente.

Agora, uma voz se levantou contra esse nocivo efeito resultante dos blockbusters. Jodie Foster afirmou, com todas as letras, que o cinema virou um grande parque de diversões.

Ela se cansou de ver nos cinemas filmes com histórias para agradar as massas e os acionistas dos estúdios, e que não quer fazer um filme de heróis com orçamento de US$ 200 milhões.

Na verdade, Foster não descartou dirigir um dia um filme de heróis, mas tem exigências. Quer que a história seja interessante, que se centre em seus personagens, com um protagonista muito completo psicologicamente, e não baseado na ação exacerbada.

Entendo os pontos de Foster. Se tem uma coisa que os filmes de heróis deixam a desejar é oferecer elementos mais complexos em seu roteiro e seus personagens, resultando em um entretenimento que faça a pessoa pensar a longo prazo naquilo que acabou de ver.

Por outro lado, precisamos dos blockbusters. Não apenas por causa das elevadas bilheterias, mas especialmente pelo fato de, nesse momento, esses filmes serem a principal conexão das massas com o cinema. Muita gente gosta de cinema por causa dos filmes arrasa quarteirão, e não podemos culpar essas pessoas por isso.

É preciso sim separar o joio do trigo.

Exemplo: Guardiões da Galáxia Vol. 2 conta com elementos narrativos mais interessantes e relevantes do que Transformers: O Último Cavaleiro. Mulher-Maravilha tem uma mensagem mais edificante que Thor: Ragnarok.

Não acredito em filmes blockbuster tão inteligentes assim como sonha Jodie Foster. Mas ela não deixa de ter razão quando vemos filmes com roteiro e argumentos bem rasos alcançando com facilidade públicos enormes.

Quem sabe com o tempo Hollywood alcança o melhor dos dois mundos. Mas não crio muitas expectativas sobre isso.

bostancı escort