Jump The Shark: Veja séries que entraram em declínio após um único acontecimento

Você sabe o que é um Jump The Shark (Pular o tubarão)? É uma expressão criada por americanos para designar momentos específicos das séries que fizeram com que as mesmas acabassem tendo suas histórias desandadas. Às vezes um único acontecimento, faz com que a série nunca mais volte a ser a mesma, e perca completamente sua qualidade, ou elementos que faziam dela uma boa história antes. A expressão foi criada por dois amigos em 1985, que eram fãs da série Happy Days, que ficou no ar de 1974 a 1984.

Na terceira temporada do programa, o protagonista que já havia sofrido um acidente de moto no início da história ao tentar realizar um salto, e prometido que nunca mais faria algo perigoso, resolveu saltar por cima de um tubarão ao ser desafiado a fazer isso enquanto esquiava. Aquilo ia contra a essência do personagem, e fez com que daí em diante a atração caminhasse cada vez mais para o declínio. Listamos aqui alguns dos principais Jump The Shark de alguns programas queridos pelo público.

Dexter (Reprodução)

Dexter

A famosa série do detetive forense que usava seus instintos assassinos para fazer um tipo torto de justiça, “pulou o tubarão” exatamente no meio de seu enredo, mais precisamente no final de sua quarta temporada. Até então, o programa vinha numa constante, usando com sucesso o esquema de vilão da temporada. Nesta, um erro de Dexter (Michael C. Hall) fez com que o também assassino Arthur Mitchell (John Lithgow), conhecido como Trinity, descobrisse sua identidade, e acabasse assassinando, sua esposa, Rita (Julie Benz). A perda de Rita, fez com que Dexter se livrasse do peso de ser um psicopata sem sentimentos, e fez com que ele entrasse em colapsos. Os enredos da série daí para a frente foram cheios de absurdos, como um antagonista que o protagonista inventou em sua cabeça, e Debra (Jennifer Carpenter), irmã adotiva de Dexter começando a nutrir uma paixão por ele.

The Vampire Diaries

Inicialmente The Vampire Diaries, foi um estouro. Embalada pelo sucesso de True Blood e Crepúsculo, a série adolescente colocou na tela, o que seu autor Kevin Williamson havia feito de melhor durante sua carreira: Unir o tom sombrio, ação e uma dose de romance. Autor de sucessos como Pânico, e Dawson’s Creek, na série vampiresca, o amor de dois irmãos vampiros com mais de cem anos de existência pela mocinha moderna, que era exatamente igual em aparência à mulher que os transformou, guiava a narrativa, até que a série “pulou o tubarão” da pior forma possível:

fazendo a protagonista que foi protegida durante três temporadas, virar vampira também como única forma de salvá-la da morte. Acrescente aqui a saída do autor da série, deixando tudo nas mãos de sua até então assistente Julie Plec. A série desandou tanto que daí em diante o público viu Elena (Nina Dobrev), uma vampira que tinha problemas de bulimia ao tomar sangue humano, sereias que atacavam a humanidade, bruxas milenares, e personagem humano voltando dos mortos, além de claro, a saída da protagonista.

Sam (Jared Padalecki) pulando no inferno com Lucífer (Mark Pellegrino) em Supernatural
Sam (Jared Padalecki) pulando no inferno com Lucífer (Mark Pellegrino) em Supernatural (Divulgação)

Supernatural

Lançada em 2005 ainda no extinto canal WB, Supernatural existe até hoje mas de forma muito diferente do que foi. A série que mostra a trajetória dos irmãos Winchester, dois caçadores de demônios e outros mitos do além tinha uma proposta clara, combater um monstro por episódio como se fossem pequenos filmes de terror, enquanto explorava mitologias de diversas partes do mundo, acrescentando na mistura um arco central que permanecia apenas como pano de fundo das temporadas. Neste caso quem pulou o tubarão foi a emissora The CW, que em 2010 se recusou a finalizar a série como Erik Kripke, seu criador queria.

A quinta e última temporada, mostraria os dois irmãos combatendo Lucífer para evitar o apocalipse. O pior aconteceu: com a emissora querendo continuar a série, o autor pulou do barco, e o naufrágio começou. Sam (Jared Padalecki) resolveu sacrificar a si mesmo pulando junto com Lucífer (Mark Pellegrino) numa fenda que dava direto no inferno para que o mundo fosse salvo, e Dean (Jensen Ackles) tivesse uma vida normal, algo que nunca teve já que foi obrigado pelo pai desde a infância a caçar demônios, e ainda cuidar do caçula. Com a volta da temporada, o primeiro absurdo foi Sam sair do inferno, musculoso e sem alma, e as loucuras continuaram até o atual momento que a série está prestes a finalizar sua jornada.

True Blood (Divulgação)

True Blood

True Blood foi durante anos (até a chegada de Game of Thrones), a principal série da HBO, onde ela colocava todos os seus esforços e dinheiro. Não por menos, o show ganhador do Emmy na primeira temporada usava a metáfora dos vampiros que queriam direitos civis como os dos humanos para tocar em assuntos como direitos homossexuais, e HIV. Carregado com doses extras de sangue, mistério e sexo. Se no primeiro ano, a caçada a um serial killer que fazia de vítima qualquer pessoa que se envolvesse com os vampiros, naquele momento recém-apresentados à sociedade, o segundo ano se alternou entre uma igreja em moldes evangélicos que cultuava a aniquilação dos vampiros, enquanto lidava com uma figura mitológica que promovia orgias e matanças.

A terceira temporada mostrou uma sociedade estabelecida, e um vampiro que lutava por poder, mas a série pulou o tubarão ao final desta temporada, ao revelar o motivo pelo qual Sookie (Anna Paquim), a mocinha do programa, conseguia ouvir pensamentos: ela era uma fada. Isso virou motivo de escárnio na boca da própria personagem que achava ridícula a própria origem, e isso foi piorando quando o mundo das fadas (algo cruel e bem diferente dos contos infantis) foi mostrado na atração, que a essa altura já havia perdido verba para Game of Thrones e até diminuído de 12 para 10 episódios por temporada.

Gossip Girl
Gossip Girl (Imagem: Divulgação/Instagram)

Gossip Girl

Gossip Girl está prestes a ganhar uma nova série no serviço HBO Max, que mostrará a vida de outros personagens sem esquecer das figuras clássicas que nasceram nas páginas dos livros, e ganharam a TV em 2007. O drama dos adolescentes ricos de Manhattan, que precisavam lidar com uma blogueira misteriosa que expunha os podres de todos em um blog, gerando uma rede de fofoca que respingava até nos personagens adultos, pulou o tubarão mais cedo que o esperado. Já é sabido que todas as séries adolescentes têm problemas ao fazer a transição dos personagens do ensino médio para a faculdade, mas Gossip Girl conseguiu a façanha de fazer isso a pior forma possível, mesmo sendo assinada pelo criador de The O.C., série que havia feito estrondoso sucesso anos antes.

Sem o mínimo foco, a terceira temporada teve momentos constrangedores ao mostrar a protagonista Serena (Blake Lively) abdicando de seus privilégios para decidir estagnar sua vida apenas por não querer ir para a faculdade imposta pelos pais, e por falar em protagonista, a série começou a deixar Serena de lado e apostar em Blair (Leighton Meester) como a principal, mas a garota não fazia nada além de se frustrar porque as pessoas na faculdade eram maduras e não estavam nem aí para sua mania de superioridade. Para completar, a temporada teve Hilary Duff como uma personagem fixa, Olivia, que só foi colocada no enredo para se dizer virgem e depois participar de um ménage com dois dos personagens principais. E teve ainda Lady Gaga, que no auge de seu ‘Bad Romance’, apareceu no programa num episódio sem sentido, e sem direito a uma única fala.

Elenco da primeira temporada de Glee (Divulgação)

Glee

Glee chamou bastante a atenção em sua estreia, não só pelos temas (que quem conhece Ryan Murphy sabe que ele já tinha trabalhado tudo aquilo anteriormente em Popular, série de 1999, exibida no Brasil pelo SBT com o nome de Popularidade), mas pelo formato musical, que não havia sido muito explorado anteriormente (Pushing Daises bem que tentou). A série parecia ir num caminho interessante, e nem mesmo a mudança de cenário, fazendo com que alguns personagens deixassem de aparecer, para a exploração de outros dramas do início da vida adulta fez a série cair.

Um dos melhores episódios inclusive, aconteceu durante toda a temporada, quando o tom do programa já estava diferente, porém tudo começou a desandar quando o ator Corey Monteith morreu. Um dos protagonistas da série, seu falecimento abalou todos os planos para a continuação do programa, que acabou dando um passo para trás e tentou apostar em uma nova geração de alunos do colégio McKingley High, o que não deu certo.

E você? Tem alguma série que você acha que também teve um grande Jump The Shark? Conta para a gente!