Keke Palmer faz desabafo: “A supremacia branca é a opressão mais duradoura da América”

Keke Palmer durante protestos americanos
Keke Palmer durante protestos americanos (Reprodução)

A atriz Keke Palmer falou em um relato emocionante sobre sua relação com os protestos que estão acontecendo nos Estados Unidos. Convidada pela revista Variety, ao escrever uma coluna, ela explicou que sempre foi educada para seguir regras, não importava quais fossem elas, mas ao mesmo tempo, desde muito cedo, nos sets de filmagem, foi orientada por sua mãe e sempre questionar tudo o que não gostasse ou não achasse correto.

Segundo ela, participar dos protestos do Black Lives Matter, e ir contra autoridades foi a única forma encontrada por ela, para tentar mudar algo que ela sempre se questionou, e não conseguia alterar.

“A certa altura, conversei com os guardas nacionais que estavam nos impedindo de passar por um determinado ponto e os desafiei a marchar conosco. Nos meus sonhos mais loucos, todos marchariam conosco sem risco de punição, da mesma maneira que, se toda a turma sair da escola, ninguém será detido por isso. Se um número suficiente deles se sentisse movido para fazer isso, isso ofereceria muita inspiração e impactaria o movimento de maneira significativa”, escreveu ela.

Mas isso não aconteceu, pelo contrário, o único policial que não ofereceu resistência, disse que precisava proteger os prédios dos locais que estavam em torno.

“Mas e as pessoas que estão realmente morrendo? Naquele momento, eu não estava pensando em quem pode ou não tocar em um prédio. Eu estava pensando em como estamos aqui, lutando por um chamado para proteger vidas humanas. E o governo está lhe dizendo para proteger um edifício? Isso não me agrada, e eu queria desafiá-los com a pergunta: ‘Como isso se encaixa em você?’”

“A supremacia branca é a opressão mais duradoura da América, mas não é a única. Nem todos podemos compartilhar a experiência negra disso, mas posso garantir que quase todo mundo neste país foi oprimido de uma forma ou de outra. É a realidade do que acontece quando a doença do racismo é validada através do sistema. Cria ainda mais divisão, nos dessensibiliza para a humanidade dos outros, a tal ponto que muitos podem ser facilmente cegos para as injustiças sociais abrangentes”, continuou ela ao dizer que esperou por uma revolução por toda sua vida, e que isso seja o desmantelamento de um sistema. “Portanto, embora possa ser assustador, nascemos para isso: nascemos para ser líderes e crescemos apenas ‘seguindo regras’, mas seguir regras não é suficiente”.